Resenha #71 - A Sétima Cela - Kerry Drewery

31 janeiro 2017

Título: A Sétima Cela
Título Original: Cell 7
Série: A Cela
Autor: Kerry Drewery
Editora: Astral Cultural
Ano: 2016
Páginas: 
316
Para saber mais: Skoob

Livro recebido de ação da editora.

Sinopse: Martha Heneydew é a primeira adolescente a ser presa e condenada no novo sistema de justiça da Inglaterra. A polícia a encontrou ao lado do corpo de Jackson Paige, filantropo, milionário e uma das celebridades mais queridas do país. Nesse novo sistema de justiça, o condenado tem sete dias, cada dia em uma cela diferente para ter seu destino determinado pelos votos dos telespectadores. Se a audiência do programa de TV Morte é Justiça decidir pela inocência do preso, ele será solto. Caso contrário, será morto na cadeira elétrica. Porém, algumas peças não se encaixam na história que Martha conta para a justiça. Ela se declara culpada, mas há algo por trás da cena do crime que os telespectadores ainda não sabem. Com a ajuda da consultora psicológica, Eve Stanton, de um juiz do antigo sistema jurídico, Cícero, e do seu grande amor, os sete dias que precedem sua execução serão de muita intensidade, sofrimento, descobertas inesperadas e reviravoltas de perder o fôlego. Quem é, de verdade, Jackson Paige? Martha Heneydew é realmente culpada? Será que esse sistema jurídico é justo? Nesta distopia eletrizante, todas essas questões nos fazem refletir sobre o poder do dinheiro que, muitas vezes, prevalece sobre a justiça. E Martha, uma adolescente forte e destemida, mostra sua crença em uma sociedade verdadeiramente justa, na força da amizade e do amor. Mesmo que isso possa significar sua própria vida.



A Sétima Cela é o primeiro livro da trilogia A Cela. Os outros volumes ainda não foram publicados, nem no Brasil, nem no exterior.


Sobre o livro

Há dez anos entrou em vigor a Lei dos sete dias de justiça, o sistema de justiça mais democrático do mundo. Pelo menos é isso que a população da Inglaterra pensa. O sistema de votos para todos, consiste em prender e condenar, no período de sete dias, qualquer pessoa que tenha cometido um assassinato. O acusado nesse período passa por sete celas diferentes, uma para cada dia, e tem seu destino decidido pela população através de votos pelo telefone, pela internet ou por mensagem de texto. Todo o processo é transmitido pelo programa de TV, Morte é Justiça. Todos os dias, o programa mostra detalhes de como era a vida do acusado e do falecido. Mas todo esse “julgamento” é feito sem defesa e sem provas, além disso o programa manipula as informações que são apresentadas. Isso claramente interfere no julgamento de quem está assistindo. Quando chega o sétimo dia, se declarado culpado, o acusado tem sua execução transmitida ao vivo pela televisão.

Martha Heneydew, uma adolescente de 16 anos, foi pega com a arma na mão na cena de um crime. Ela assassinou Jackson Paige, a celebridade mais querida de Londres. Ao assumir a culpa, ela vai imediatamente para a cela 1. Pelo fato de ser a primeira adolescente no corredor da morte e de ser Paige a vítima, seu caso ganha destaque. Durante sete dias sua vida será exposta e discutida no programa Morte é Justiça.


Mas logo no primeiro dia, Martha irá conhecer Eve Stanton, a psicóloga do corredor da morte. Eve acredita que a menina está escondendo o verdadeiro culpado. Assim como Martha, ela quer um sistema de justiça mais justo e humano. A verdade precisa ser revelada no momento certo pela pessoa certa!


Minha opinião

Um livro feito de críticas à sociedade atual. A autora não poupou esforços e juntou em uma única trama muitos problemas atuais, questionando o modo de pensar e de agir de muitas pessoas nos dias de hoje. Gostei muito do modo que a autora usou para fazer uma crítica ao pensamento olho por olho. O sistema de não podia ser mais falho e injusto.

A maior crítica está no sistema judiciário. O nível de violência chegou a níveis tão altos que a “única” solução encontrada foi a do olho por olho. Assim se você mata, você morre. Desde que esse sistema foi implantado no pais, os assassinatos diminuíram muito, contudo não acabaram. A autora conseguiu explorar muito bem o lado negativo desse modelo de justiça, mostrando que independentemente do tipo de tribunal que escolhemos para punir, sempre haverá como corromper o sistema e sempre haverá inocentes sendo condenados injustamente.

Com isso, chegamos a outra crítica feita pela autora, a divisão das classes sociais na cidade. A classe pobre da cidade fica na área denominada arranha-céus, assim separada da parte rica. O fato curioso é que, na maioria das vezes, as pessoas no corredor da morte são moradores dos arranha-céus. Além disso, o sistema de votos é pago, então quem acaba decidindo o destino dos culpados é a parte rica da cidade. Sendo que o número de votos por pessoa é ilimitado, há uma grande discrepância na votação, pois mesmo que gastem todo dinheiro que têm, os moradores dos arranha-céus nunca conseguem influenciar no destino do acusado. 



Sem falar na crítica à população em geral. Aos que mesmo cientes dos problemas e dos erros do sistema preferem lavar as mãos e fingir que a injustiça não acontece e aos que além de acreditar em tudo, gastam dinheiro para levar uma pessoa à cadeira elétrica. A parte do programa de TV foi, na minha opinião, a melhor. Consegui visualizar, um programa de auditório com uma apresentadora manipuladora e uma plateia que acredita em tudo que ouve e vê, sem questionar nenhuma das informações. Em muitos momentos, vi-me irritada com o modo que a apresentadora conduzia as informações. O objetivo do programa é transformar a execução de um ser humano em um espetáculo. 

A história está dividida em sete capítulos, um para cada dia, cada cela. A narrativa intercala presente e passado para que assim o leitor compreenda os acontecimentos do presente. O foco da narração e alternado entre os personagens e o programa de TV. Acompanhar as diferentes visões deixa a leitura mais angustiante e intensa, pois a autora consegue passar perfeitamente em cada perspectiva um estilo diferente. 

Gostei muito dos personagens, todos são bem explorados. Conseguimos sentir e saber o que motiva cada ação deles. Temos um casal, porém com pouca interação entre os personagens. Confesso que gostei do modo que os dois se envolvem inicialmente. Martha mesmo sendo jovem mostrou-se ser muito forte e determinada. Isaac é aquele tipo de pessoa que não se deixa corromper pelo dinheiro, mas sim que acredita no que é correto. Eles estão ligados por outros fatores além do amor.

Drewery conseguiu finalizar a história com ação e emoção, deixando-me ansiosa pelo próximo livro. Mesmo com muitos acontecimentos previsíveis, A sétima Cela é uma distopia excelente, cheia de questionamentos importantes. 




8 comentários

  1. Olá, tudo bem?
    Gente, fala sério!!! O marketing desse livro estava tão maravilhoso, que não pude deixar de adquirir!
    Sua resenha me deixou mais curiosa sobre como será a leitura.
    Um beijo.

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  2. Oie tudo bem? Não tinha conhecimento dá trilogia ainda, mas gostei bastante dá premissa e faz o meu tipo, vou por na listinha e ler assim que puder.

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  3. CARAMBA!!! Que história louca e tipo parece fascinante *o* fiquei curiosa e leria mesmo, fiquei curiosa em como ela levou adiante essa ideia, gosto da critica dentro da obra, me faria ler.

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  4. Adoro como distopias conseguem ser um alerta ao futuro da sociedade. Quer dizer, não está tão longe assim disso acontecer (mas espero que não ocorra). Deu vontade de ler o livro, apesar de ser parte de uma série (por que não se escrevem mais livros únicos, sen or?!). Mega interessante, mesmo.

    ;*

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  5. Oie
    Adorei a sinopse e as suas impressões. Já fiquei bem tentada a ler.Bem interessante a autora colocar pontos críticos nos entremeios da história. Acredito q deixa o enredo mais interessante.
    DIca anotada!
    bjo

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  6. Oi, tudo bem?
    Vou ser sincera, a sinopse do livro não me agradou nem um pouco, achei o livro um pouco previsível, porem ao ler a sua resenha, achei o livro um poço legal.
    Beijos Larissa (laoliphant.com.br)

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  7. Uau! Esse é meu tipo de livro!
    Que história intrigante e bem bolada. Um reality na prisão onde a vida de uma pessoa está nas mãos do povo. Claro que haverá sempre um injustiçado e pelo visto é o caso da protagonista. Quero ler! colocando na minha lista de desejados.
    Ótima resenha.
    Ni
    Cia do Leitor

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  8. Caralho, nao esperava tanto desse livro, li alguns resenhas dele mas não me empolguei, tu me fez olhar a obra com olhos curiosos...
    Vou já anotar, e espero que saiam logo as continuações e que venham pra cá sem.demora...
    Bj, lê...

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