Resenha: A Revolução dos Bichos - George Orwell

10 março 2017

Título: A Revolução dos Bichos
Autor: George Orwell
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2007
Páginas: 147

Para saber mais: Skoob
Sinopse: Cansados da exploração a que são submetidos pelos humanos, os animais da Granja do Solar rebelam-se contra seus donos e tomam posse da fazenda, com o objetivo de instituir um sistema cooperativo e igualitário, sob o slogan ''Quatro pernas bom, duas pernas ruim''. Mas não demora muito para que alguns bichos - em particular os mais inteligentes, os porcos - voltem a usufruir de privilégios, reinstituindo aos poucos um regime de opressão, agora inspirado no lema ''Todos os bichos são iguais, mas alguns bichos são mais iguais que outros''. A história da insurreição libertária dos animais é reescrita de modo a justificar a nova tirania, e os dissidentes desaparecem ou são silenciados à força. Instrumentalizada na época da Guerra Fria como arma anticomunista, A revolução dos bichos transcende os marcos históricos da ditadura stalinista que a inspirou e resplandece hoje, passados mais de sessenta anos de seu surgimento, como uma das mais extraordinárias fábulas sobre o poder que a literatura já produziu.



Sobre o livro

Certa noite, o velho Major, um porco premiado de exposições, reuniu os companheiros da fazenda para contar-lhes o estranhíssimo sonho que tivera. Sonhou com um mundo em que os homens desaparecem. Ele sentia que não viveria por muito tempo e que precisava transmitir aos outros animais um pouco do que aprendera ao longo de sua vida. Em seu discurso, Major faz uma profunda reflexão quanto aos abusos dos seres humanos aos animais.

“... nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo alimento necessário para continuar respirando, e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade.”

Quando os bichos se veem livres de Jones, o dono da fazenda, novas perspectivas são inseridas em suas vidas. Agora eles precisam aprender a sobreviver sem os interesses e os cuidados humanos. Os porcos consideravam-se os mais inteligentes dentre os animais da fazenda e ficaram encarregados de instruir e organizar as atividades do lugar e também por liderar todos os bichos. Os líderes passaram a ser Napoleão e Bola-de-Neve, que também possuíam o porta-voz e assistente, Garganta, um porquinho rechonchudo de discurso muito persuasivo.

Com o tempo, todos foram  adaptando-se a nova rotina de trabalho na Granja dos bichos. Com habilidades diferentes, os animais realizavam as tarefas de acordo com as suas capacidades, como os cavalos que ceifavam e raspavam o terreno para a plantação. As galinhas e os patos carregavam nos bicos pequenos feixes de feno para que nada fosse desperdiçado. Todos trabalhavam, diariamente, por muitas horas e só descansavam aos domingos, quando se reuniam para cantar o hino Bichos da Inglaterra que os encorajava à revolução.

A fazenda vai sendo mantida pelos bichos, e as notícias do crescimento e do trabalho que são realizados na granja vão correndo pela região. Ao longo da história, percebemos diversas disputas pelo poder na liderança da granja entre os animais e também entre os humanos. Vemos ataques, batalhas, ameaças de ocupações ao território, invasões e até mesmo negociações e alianças por interesse.


Minha opinião

A revolução dos bichos é um livro incrível! A edição da Companhia das Letras possui um posfácio de Christopher Hitchens com comentários sobre a sua investigação da obra de Orwell e com citações do autor sobre a composição da história. Relata fatos sobre os seus longos anos de escrita, sobre a primeira edição desse livro e também sobre como os manuscritos quase foram perdidos quando um míssil caiu em seu apartamento em Londres. Esta produção é uma representação perfeita do comportamento dos seres humanos na figura dos animais! Como aquela velha frase: “Se quer conhecer verdadeiramente o caráter de uma pessoa, dê o poder a ela”. 

Foi o primeiro livro de George Orwell que li e não tinha conhecimento do contexto cultural do qual foi inspirado. Trata-se de uma sátira política que reproduz e adapta diversos fatos da ditadura de Josef Stalin na antiga União Soviética. Desse modo, o porco Napoleão representa a imagem de Stalin, que torturava, oprimia, violava os direitos humanos, massacrava e executava milhares de pessoas durante o seu governo. O rival, Bola-de-Neve, traz a figura do intelectual marxista e revolucionário bolchevique Leon Trótski. Da mesma forma, o personagem é traído e expulso por Napoleão, que deseja liderar a granja, do mesmo modo feito por Stalin ao Trótski.

Orwell insere nos animais fala, inteligência e coragem para lutar contra os humanos. Percebemos a perfeição com que constrói os personagens da fazenda, como os cavalos Sansão e Quitéria, que se assemelham ao proletariado, a classe mais empenhada ao trabalho e devota ao crescimento da granja (“Trabalharei mais ainda!”). As ovelhas, as vacas e as galinhas que configuram a classe média. E a égua Mimosa que é a figura da burguesia narcisista, que sempre arruma desculpas para escapar do trabalho pesado.

É nítido o abuso, a corrupção, e a quebra das leis realizadas pelos líderes (os porcos) aos seus governados (os bichos). No início do processo de dominação da fazenda, Bola-de-Neve, que aprendera a ler, escreve os sete mandamentos de convivência da granja, como “todos os animais são iguais”, “nenhum animal matará outro animal” ou “qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo”. Com a evolução da história, percebemos que poucos animais se recordavam dessas normas, muitos não sabiam ler, outros conheciam apenas algumas letras, alguns sabiam somente as vogais, pois não acreditavam na necessidade da leitura para o trabalho da fazenda. Vemos a utilização e a manipulação dessas leis para a satisfação dos líderes.  
“Maricota, lendo os Sete Mandamentos, notou que havia outro mandamento mal lembrado pelos animais. Todos pensavam que o Quinto Mandamento era 'Nenhum animal beberá álcool', mas haviam esquecido duas palavras. Na realidade, o mandamento dizia: Nenhum animal beberá álcool em excesso”.

Gostei muito desse livro e sei que ele é trabalhado nas escolas em turmas de anos finais nas disciplinas de português, história e filosofia. Há muitos pontos para serem discutidos, como o contexto histórico-cultural, os problemas sociais, a exploração da classe trabalhadora e a má qualidade da alimentação e da assistência fornecida à população. Refletindo o comportamento humano nas ações dos animais, para então entender os porcos como ditadores ou os homens como porcos.


11 comentários

  1. Bruna me deixou curiosa, adorei teu comentário e pretendo ler "A Revolução dos Bichos".

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    1. Obrigada pela mensagem! E faça isso, leia A revolução dos bichos! Abraços!

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  2. Olá Bruna, tudo bem?
    A algum tempo eu quero ler esse livro. Ele me parece muito interessante. E poxa amei saber a relação com essas disciplinas. Dica anotada. Amei a sua resenha ela esta super instigante. Parabéns!

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    1. Olá, Faby! Que bom que esta resenha tenha te instigado a ler, vale muito!

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  3. Sim, eu trabalho em sala de aula. Muito bom. Comprei essa edição, pois a que tinha, estava muito velhinha e com ácaro, mas nunca resenhei no blog, pretendo fazer isso este ano.

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  4. Fiz a leitura desse livro fantástico ainda no final do ensino fundamental, na época chamado de primeiro grau, foi uma leitura recomendada pelo professor José Luiz de Moraes Mattos, o melhor professor de língua portuguesa que tive e grande incentivador da literatura entre seus alunos.
    Ótimo relembrar este livro através do excelente texto da Bruna Nobre.

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    1. Obrigada pela leitura, amigo! Grande abraço!

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  5. Já tinha ouvido falar desse livro, muitas pessoas dizendo que o autor foi genial com essa ideia. Mas confesso que ao ler a sinopse, achei um tanto estranho, kkkkk. Mas imaginei que fosse uma critica.

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  6. Oooooi!Tem um tempinho que eu quero ler esse livro. Ele me parece muito interessante.Dica anotada. Amei a sua resenha. Parabéns!
    Beijooos!

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  7. Oi tudo bem!
    Adorei seu blog,lindo já estou te seguindo e escrita no seu canal também
    Ainda não ouvi falar desse livro mais gostei muito do livro,beijinhos

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  8. Oi.

    Tenho este livro em casa, até comecei a ler, mas parei logo no começo e preciso retomar com a leitura. Até estava pensando em lê-lo no mês que vez e depois comprar o outro livro do autor para ler.

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