Resenha #81 - Casos de Família - Ilana Casoy

09 abril 2017

Título: Casos de Família - Arquivos Richthofen e Arquivos Nardoni
Autora: Ilana Casoy
Editora: 
DarkSide Books
Ano: 2016
Páginas: 
560
Para saber mais: Skoob

Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: O assassinato do casal Richthofen e de Isabella Nardoni foram reunidos em um só livro e trazem novos detalhes observados por quem estava nos bastidores. A criminóloga Ilana Casoy abre pela primeira vez seus cadernos de anotações utilizados durante a pesquisa na Polícia Civil, Científica e Ministério Público dos dois crimes. Em “Arquivos Richthofen” o leitor vai acompanhar o comportamento dos três assassinos — as contradições e os erros decisivos; a distância de Suzane ao relatar os fatos, o descontrole de seu namorado Daniel na reprodução simulada do crime, os depoimentos e técnicas de investigação da polícia, dos médicos legistas, peritos e especialistas, que não deixaram outra alternativa aos culpados que confessar os assassinatos brutais. A grande novidade fica por conta da transcrição inédita do emblemático debate entre acusação e defesa, com o objetivo de oferecer os detalhes do julgamento nunca publicados. Em “Arquivos Nardoni” o mergulho é em um dos casos criminais mais polêmicos já ocorridos no Brasil, que contou com um qualificado trabalho da polícia técnico-científica — única “testemunha” do crime. Ilana reconstrói os cinco dias do julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, pai e madrasta de Isabella de Oliveira Nardoni, condenados pelo assassinato dela. A autora foi colaboradora do Ministério Público, que, com a ausência da confissão dos réus, trabalhou com provas periciais irrefutáveis para confrontar a versão do casal no tribunal do júri.



Em Casos de Família, Ilana Casoy, criminóloga e escritora, junta dois de seus livros sobre crimes que chocaram o Brasil, O Quinto Mandamento, aqui arquivos Richthofen, e A Prova é a Testemunha, aqui arquivos Nardoni. Aqui o diferencial está no material extra da autora, como documentos e anotações inéditas feitas por ela.


Sobre o livro

Em Arquivos Richthofen, acompanhamos o processo de investigação do assassinato de Manfred e Marísia, mortos, em 2002, a pauladas pelo namorado e pelo cunhado de Suzane Von Richthoven, a filha do casal. Os três confessam o crime poucos dias após o assassinato. A autora traz ainda na integra a transcrição do julgamento de Suzane e dos irmãos cravinhos, DanielChristian.

Em Arquivos Nardoni acompanhamos o julgamento de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, pai e madrasta da vítima, pelo assassinato Isabela de Oliveira Nardoni, uma menina de cinco anos que foi jogada da janela do sexto andar do apartamento do pai, em 2008.


Seria esse caso diferente de outros tantos que acontecem na calada da noite ou do dia, rompendo a barreira do sagrado? Crimes de família não são tão raros quanto se pensa.



Minha opinião

No caso Richthofen, como houve confissão do crime, tudo é bem explorado nos mínimos detalhes, minuto por minuto, do planejamento a execução do homicídio. Fiquei muito impressionada com o trabalho da perícia, eles são capazes de descobrir qualquer coisa. Me surpreendi com a necropsia, os médicos são capazes de descobrir como cada parte foi “quebrada” e como cada hematoma surgiu.

Acompanhar os depoimentos dos suspeitos também foi uma surpresa. É incrível como essas conversas são conduzidas e como os investigadores sabem falar as coisas certas para tirar a verdade das pessoas. Vemos muitas contradições nos depoimentos dos suspeitos, mas a polícia estava muito à frente nas investigações e suspeitando das atitudes do trio. Em poucos dias, a confissão de Christian traz toda a verdade à tona.

Nessa parte, todos os acontecimentos são contados pela autora, que acompanhou tudo de perto, inclusive estava presente na reprodução simulada. O que mais me assustou foi a frieza dos três após a morte do casal, principalmente da Suzane, que deu até festa de aniversário dois dias depois. Já na reprodução do crime, eles parecem mais abatidos, meio obvio né, já que tinham sido descobertos.

Na segunda parte do caso Richthofen, há a transcrição na integra do julgamento dos assassinos. Aqui o que me perturbou foram as falas dos advogados. Os recursos linguísticos usados para impressionar, comover e convencer o júri são impressionantes. A intenção dos advogados é chocar e emocionar, por isso, muitas vezes, achei algumas falas, principalmente, da acusação um golpe baixo. Eles não medem esforços e habilidade oral para defender o quão horríveis são Suzane, Daniel e Christian.

O foco principal de Arquivos Nardoni está no julgamento, que teve duração de cinco dias, dois anos após Isabela ser jogada pela janela. Confesso que em alguns momentos senti-me cansada da leitura. Aqui acompanharemos Ilana Casoy fazendo comentários sobre o que está acontecendo dentro e fora do tribunal, além de comparar as discrepâncias nos testemunhos dos acusados com suas falas anteriores, no período de investigação.

Muitas pessoas foram ouvidas pelo júri nesse período, desde a mãe de Isabela, Ana Carolina Oliveira, até o primeiro policial a entrar no apartamento na noite do crime. Tanto a defesa quanto a acusação estavam muito bem preparadas. Fiquei bem impressionada com os depoimentos do médico legista Paulo Sergio Tieppo Alves, que explica em detalhes tudo que encontrou no corpo de Isabela, e da perita Dra. Rosângela Monteiro, que explica sobre o sangue encontrado no apartamento.

Até hoje o casal se declara inocente!


A edição do livro está espetacular, com os documentos de denúncia e de julgamento na intriga, fotos das representações simuladas, mapa do tribunal, laudos necroscópicos. Sem falar nas cópias dos cadernos da Ilana, nos quais ela fazia anotações sobre o caso na época dos crimes. Um verdadeiro dossiê sobre dois homicídios que chocaram o Brasil. 

Casos de Família foi meu primeiro livro da autora. Mesmo tratando-se de assuntos tão cruéis, a escrita dela é simples. Gostei muito de saber sobre o funcionamento de investigações e de julgamentos no país. No final da leitura, senti-me até um pouco triste, pois aqui vemos o lado mais cruel do ser humano. Crimes de família são mais comuns do que imaginamos, e isso é assustador. Assustadoramente real!

Para quem gosta de livros sobre crimes, para quem é da área do direito e para quem quer saber mais sobre os casos Richthofen e Nardoni aqui está um prato cheio.


7 comentários

  1. Oii, tudo bem?
    Já conhecia a obra, mas confesso que não me chamou a atenção. Não acho certo pessoas lucrarem com os fatos horríveis que aconteceram com essas famílias, então, vou passar a dica.

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  2. Oii Lê!
    Já começo a falar da capa, que linda, não conhecia a obra, mas confesso que adoro series sobre crime e me interessei muito pelo livro, mas é assustador ver como os crimes de família são comuns e frequentes.
    Obrigada pela dica.
    Abraço;**
    http://FebredeLivro

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  3. A darkside sempre arrasa nas publicações. Quero ler esse livro sim! Estou na vibe de histórias de criminóloga depois maratonar How to get away with murder rs
    Beijos

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  4. Olá Lê, apesar de não ser o meu estilo de leitura morro de vontade de ler todos os livros da autora *-* Esse parece ter sido muito bem desenvolvido com todos os pontos ligados e como são dois casos que tiveram bastante repercussão fiquei ainda mais curiosa para saber como ocorreu todo o julgamento deles. Adorei a dica.

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  5. Não me chamou a atenção, não sei como dizer. Acho que pelo tema, não estou nessa vibe e não costumo ler. Beijos!

    Carolina Gama

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  6. Li um livro comentando do caso Richthofen e achei interessante como foi analisado por isso to louca nesse livro da Ilana, vê a que conclusão chegou e suas análises.

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  7. Oi, Lê!
    Já vi alguns comentários sobre o livro e mesmo tenho acompanhado um pouco sobre os casos na mídia acho que não tenho estômago para esse tipo de leitura. Com certeza ficaria muito perturbada com os detalhes, mas confesso que sinto curiosidade pela leitura. Adorei a resenha!

    Beijos,

    Rafa [ blog - Fascinada por Histórias]

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