Resenha #97 - Ninguém Nasce Herói - Eric Novello

15 julho 2017

Título: Ninguém Nasce Herói
Autor: Eric Novello
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Páginas: 384
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Num futuro em que o Brasil é liderado por um fundamentalista religioso, o Escolhido, o simples ato de distribuir livros na rua é visto como rebeldia. Esse foi o jeito que Chuvisco encontrou para resistir e tentar mudar a sua realidade, um pouquinho que seja: ele e os amigos entregam exemplares proibidos pelo governo a quem passa pela praça Roosevelt, no centro de São Paulo, sempre atentos para o caso de algum policial aparecer. Outro perigo que precisam enfrentar enquanto tentam viver sua juventude são as milícias urbanas, como a Guarda Branca: seus integrantes perseguem diversas minorias, incentivados pelo governo. É esse grupo que Chuvisco encontra espancando um garoto nos arredores da rua Augusta. A situação obriga o jovem a agir como um verdadeiro super-herói para tentar ajudá-lo — e esse é só o começo. Aos poucos, Chuvisco percebe que terá de fazer mais do que apenas distribuir livros se quiser mudar seu futuro e o do país.


Sobre o livro


O Brasil é um pais fundamentalista, comandado por um presidente conhecido como O Escolhido. Ele promete transformar o pais em um lugar “melhor” para a família brasileira. Mas o que realmente está acontecendo é que o pais está vivendo um clima de ditadura, pois até alguns livros foram tirados de circulação por conter conteúdo "imoral" de acordo com o presidente.

Mas o problema maior está na perseguição que diversas minorias estão vivendo. A Guarda Branca, uma milícia urbana, que é motivada pelo discurso retrogrado do governo, persegue e espanca gays, negros, trans, ateus e qualquer pessoa que não concorde com os conceitos religiosos do Escolhido.

Sair na rua pode ser algo perigoso e ir contra o governo é assinar o atestado de óbito. Mas mesmo com todo esse clima de tensão, Chuvisco e seus amigos, jovens começando a vida adulta e tentando achar seus lugares no meio dessa confusão em que o pais está vivendo, decidem distribuir, como forma de protesto, em praças da cidade, livros que foram censurados. Mesmo após o Pacto de Conveniência ser decretado no país, a liberdade de expressão pode ser somente uma farsa.

Um dia, ao voltar de uma festa pela manhã, Chuvisco vê membros da Guarda Branca espancando um garoto. Imediatamente, ele tenta ajudá-lo, porém também sai muito machucado. Depois do ocorrido, Junior, some sem deixar rastros, e agora Chuvisco não vai sossegar enquanto não encontrá-lo.

Entre busca por noticias, atos de protesto e a tentativa de de viver tranquilamente em um Brasil completamente em caos, Chuvisco e seus amigos vão descobrir que terão que ir além da distribuição de livros para lutar por um país melhor e mais justo.



Minha opinião

Acompanhamos a narrativa pela visão de Chuvisco. É nesse personagem que o autor inseriu uma espécie de esquizofrenia, durante a história há vários episódios do que o protagonista chama de Catarse Criativa. Esses momentos são inseridos em acontecimentos-chave da história, em que Chuvisco encontra-se vulnerável e/ou precisa encontrar forças para enfrentar algum problema, então ele imagina-se como um super-herói. Essa mistura de real e imaginário pode ser um pouco confusa no início da leitura, mas flui naturalmente depois que passamos a compreender o modo que essas crises funcionam.

O autor inseriu dois recursos que ajudam a compreender o que se passa na cabeça de Chuvisco, os e-mails que ele enviou para seu ex-psicanalista, dr. Charles, e alguns dos vídeos do canal que ele tem no YouTube, o Tempestade CriativaApesar de toda a história ser um pouco lenta, sem acontecimentos cheios de ação, a escrita do Eric é simples e fluida. Eu li o livro super rápido.

Além de Chuvisco, os personagens secundários foram muito bem desenvolvimentos, todos têm uma luta pessoal para contar. Um grupo muito unido, que encara a sexualidade de uma maneira bem aberta, formado por pessoas bem diferentes umas das outras. Acompanhamos o dia a dia dos amigos e a dedicação deles para ajudar e melhorar o país com os recursos que estão disponíveis a eles. Foi nesse núcleo da história que Eric tentou dar um tom mais tranquilo enquanto abordada um assunto tão pesado como a política.

Mesmo com a intenção do autor em escrever um livro para o público mais adolescente, trazendo personagens jovens, que estão em uma época da vida de incertezas e decisões, tentando descobrir seu papel em um país em guerra, Eric não conseguiu deixar o livro muito leve, porque quando falamos em política e em religião, o assunto naturalmente fica mais pesado. Acredito que foi o que aconteceu com o livro, pois mesmo com cenas mais descontraídas, o "problema" do Brasil estava sempre no ar em clima de tensão.

Em um país onde as notícias chegam em segundos, alimentam o ódio e são rapidamente esquecidas, Eric faz uma crítica que ultrapassa problemas políticos, alcançando também àquelas pessoas que lutam por seus ideais com agressividade, influenciadas por conceitos conservadores, que não pertencem a realidade do mundo no qual vivemos.

Esse livro pode não ser cheio de ação ou de acontecimentos chocantes, mas aborda um assunto muito atual e mostra uma realidade que pode não estar tão distante assim. Uma história que choca pela semelhança com uma época em que nossos pais e avós viveram e que assusta por "profetizar" um futuro que pode não estar a nosso favor. 

Ninguém nasce herói é um livro surpreendente, que confirma a teoria de que independente de quem esteja no poder, suas ideias sempre terão adeptos. E isso pode ser muito perigoso. Por isso, leia e distribua este livro na rua!



7 comentários

  1. então...eu achoque esse tipo de leitura nem deveria ser tratado de maneira leve,mesmo para adolescentes... achei interessante a premissa, ainda mais sendo ambientado no Brasil...
    bjs...

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  2. Olá,
    Não tinha ouvido falar sobre a obra ainda, mas achei a premissa bem interessante.
    Chuvisco parece ser um personagem muito bem construído e desenvolvido apresentando tais características e tenho certeza que ao iniciar a leitura eu ficaria meio confusa com essa mistura de real e imaginário até me acostumar com o ritmo.
    Fiquei feliz pela obra ser ambientada aqui no Brasil. Adorei a dica de leitura e a capa é muito bonita.

    LEITURA DESCONTROLADA

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  3. Seria esse livro é uma espécie de releitura do Fahrenheit 451? Porque talvez eu goste bastante! O fato da história acontecer no Brasil é um fato muito positivo. Muito legal ver a literatura nacional explorando esse gênero - ou talvez eu não esteja muito familiarizada com o que anda sendo feito por aqui hehe

    Beijos

    Psicose da Nina | Instagram
    Colunista no Estante Diagonal

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  4. Falou em critica politica já to querendo ler kkk, e mexer com esse tema é bacana porque é a nossa realidade e muito se fala disso mas nem sempre é de forma reflexiva.

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  5. Pois é, com certeza uma realidade que pode não estar tão distante assim mesmo... Não quero nem ver o que vai acontecer se certo ser for eleito por aqui, não gosto nem de imaginar... O livro é bem a minha cara, gostaria muito de ler, mesmo porque faz tempo que quero conhecer a escrita do autor.

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  6. Sou eu, ou isso é uma puta de uma distopia? Adorei demais a sinopse do livro e a resenha ajudou muito a me convencer a dar uma chance pra esse livro, de verdade. Foi um achado!

    http://laoliphant.com.br/

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  7. Eric Novello! Caramba, me lembro dele ainda rascunhando nas redes sociais. Pena que perdi um pouco do contato, eu ainda tinha um blog de textos quando o conheci. Sucesso sempre, e esse me parece um livro e tanto! Beijos!

    Carolina Gama

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