Resenha #105 - O Ceifador - Neal Shusterman

15 setembro 2017

Título: O Ceifador
Título original: Scythe
Série: Scythe #1
Autor: Neal Shusterman
Editora: Seguinte
Ano: 2017
Páginas: 448
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Primeiro mandamento: matarás. A humanidade venceu todas as barreiras: fome, doenças, guerras, miséria... Até mesmo a morte. Agora os ceifadores são os únicos que podem pôr fim a uma vida, impedindo que o crescimento populacional vá além do limite e a Terra deixe de comportar a população por toda a eternidade. Citra e Rowan são adolescentes escolhidos como aprendizes de ceifador - papel que nenhum dos dois quer desempenhar. Para receberem o anel e o manto da Ceifa, os adolescentes precisam dominar a arte da coleta, ou seja, precisam aprender a matar. Porém, se falharem em sua missão ou se a cumplicidade no treinamento se tornar algo mais, podem colocar a própria vida em risco.



O Ceifador é o primeiro volume da trilogia Scythe. O segundo volume, Thunderhead, tem previsão de lançamento, lá nos Estados Unidos, para o primeiro semestre de 2018.

Sobre o livro

Com a ajuda de uma inteligência artificial que “governa” o mundo, a Nimbo-Cúmulo, a humanidade venceu doenças, guerras, dor, miséria, fome e a imortalidade está finalmente entre nós. Nesse nova realidade, infelizmente, o fim da mortalidade vira um pequeno problema, a super população. Para cuidar disso, é criada uma organização, a CeifaNimbo-Cúmulo e Ceifa possuem um acordo de não interferirem uma no assunto da outra, assim ficando a cargo dos ceifadores coletar(matar) alguns indivíduos, com o propósito de controlar o aumento populacional.

Todo ano, os ceifadores podem escolher, caso desejam, jovens para treinar e transformar em ceifadores. É assim que Citra e Rowan, dois jovens cidadãos da Midmérica, tornam-se aprendizes do ceifador Faraday.

Quando começam o treinamento, os dois vão aprender muito mais do que regras a seguir, modos de matar e como deverão levar a vida de ceifador. Eles vão descobrir que mesmo em um mundo perfeito, há preceitos morais que o ser humano insiste em não seguir e que nem mesmo a evolução muda a ambição do Homem. Assim Cintra e Rowan vão precisar decidir entre entrar no jogo de interesses e armações da Ceifa e manter os princípios pelos quais a organização foi criada.


Minha opinião

O livro tem como tema principal a morte. O autor usou a melhor maneira possível para falar desse assunto, trouxe a imortalidade ao nosso futuro. Aliado a isso, ele aborda outros problemas atuais, como corrupção e ambição, questionando o modo de pensar e de agir que muitas pessoas têm nos dias de hoje e mostrando que nada mudaria mesmo em um mundo aparentemente perfeito. Outro ponto levantado pelo autor é que, mesmo quando a população atinge um ponto no qual nada falta, o mundo está superdesenvolvido e a mortalidade foi vencida, manter toda essa perfeição pode não ser tão simples assim, pois a morte continua sendo necessária e a “maldade” das pessoas não tem fim.

Gostei muito do modo que o Neal usou para questionar todo o sistema de coleta, pois cada ceifador tem seu próprio método de seleção, alguns bem questionáveis por sinal. Sendo assim, falar em imortalidade chega a ser engraçado quando as pessoas vivem até o dia em que serão coletadas, mesmo que isso possa demorar centenas de anos, aparentemente aqui ninguém é verdadeiramente imortal.

O sistema de imunidade também é bem questionável, pois mesmo tendo algum critério, ele é distribuído algumas vezes aleatoriamente pelos ceifadores. Outro ponto interessante é o sistema de rejuvenescimento, a partir dos 21 anos as pessoas podem passar pelo processo, assim ninguém tem aparência de idoso. O centro de revivificação é o sistema que “arruma” e revive as pessoas de acidentes, ele é pouco explorado na trama, eu gostaria de saber mais sobre esse processo, mas compreendo que isso também não é o foco da trama.


A imortalidade nos transformou em personagens de desenho animados. 

A ceifa é uma organização bem completa, com mandamentos, regras e com todo um sistema interno de cargos. O modo de coleta e de treinamento adotado por cada ceifador é praticamente livre, só há pequenas regras a seguir. É na figura desses “coletadores” que temos os maiores questionamentos do livro: quem tem o poder de tirar a vida de outra pessoa?, como escolhemos quem irá morrer?, qual a melhor maneira de matar?, entre outras muitas perguntas que nos fazemos no decorrer dessa leitura incrível. 

O autor não se apega muito a explicar como o mundo chegou a Era da Imortalidade. Acho que esse não é o fofo aqui, mas ele aborda os problemas que podemos encontrar em um mundo que a princípio parece ser perfeito. Desde que a Nimbo-Cúmulo, inteligência artificial que comanda o mundo, foi implantada, todo o planeta foi beneficiado, pois ela controla tudo, dinheiro, vigilância, desigualdade. A única questão em que ela não interfere é no sistema de coleta, pois esse assunto está sob o poder da Ceifa. 

Gostei muito dos personagens, todos são bem explorados. Temos um casal, porém é tudo bem sutil e praticamente não há romance entre eles. Citra é uma menina muito madura, inteligente, delicada, amorosa e corajosa. Rowan é engraçado, teimoso e confiante. Gostei muito dos dois e do modo como o autor desenvolveu cada um. Tudo que eles passam durante o treinamento influencia muito no desenvolvimento pessoal de cada um, Rowan é o que mais sofre mudanças durante esse processo.



Mas eu adorei mesmo foram o ceifador Faraday e a ceifadora Curie. Por serem mais velhos e já estarem por dentro de tudo que acontece na Ceifa, são eles que levantam os melhores questionamentos do livro, principalmente sobre o modo de coleta adotado pelos ceifadores e o estilo de vida adotado por eles. Eu gostei muito do “vilão”, o Goddard, em um mundo como esse, as ambições dele são nada originais, mas para mim é exatamente isso o melhor dele. Ele é o reflexo dos desejos mais cruéis do ser humano.

A história é dividida em cinco partes, somando ao todo 40 capítulos. Entre um capítulo e outro, algumas vezes, há fragmentos dos diários dos ceifadores. O que ajuda muito a compreender melhor o mundo, o sistema de coleta e os próprios personagens. A Narração é feita em terceira pessoa e alterna o foco entre os protagonistas, Citra e Rowan.

Shusterman conseguiu finalizar a história muito bem, apesar de eu achar um pouco previsível e que faltou um pouco mais de ação. Mesmo sendo o primeiro livro de uma trilogia e deixando muitas pontas soltas para o próximo volume, toda a trama inicial tem início, meio e fim. Com certeza, O ceifador é uma ótima distopia, com muitos questionamentos pertinentes. Estou ansiosa pelo próximo livro. 


3 comentários

  1. Essa sinopse me chamou a atenção desde que a editora apresentou o livro e ainda não pude ler, mas tenho muita vontade, para ver como essa parte da morte ou a falta dela é trabalhada.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

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  2. oii tudo bem ?

    eu estou louca pra ler esse livro ele ta na minha lista mais ainda n tive oportunidade de ler, gostei muito da sua resenha ela despertou mais o desejo de ler.

    bjss

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  3. Olá Lê, o enredo desse livro parece ser incrível, o autor escolheu um tema que normalmente deixa o livro denso e trabalhou ele de uma forma bem diferente *-* Sem duvida quero lê-lo <3

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