Resenha: Belas Adormecidas - Stephen King e Owen King

10 janeiro 2018

Título: Belas Adormecidas
Título original: Sleeping Beauties
Autores: Stephen King e Owen King
Editora: Suma
Ano: 2017
Páginas: 728
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Pelo mundo todo, algo de estranho começa a acontecer quando as mulheres adormecem: elas são imediatamente envoltas em casulos. Se despertadas, se o casulo é rasgado e os corpos expostos, as mulheres se tornam bestiais, reagindo com fúria cega antes de voltar a dormir. Em poucos dias, quase cem por cento da população mundial feminina pegou no sono. Sozinhos e desesperados, os homens se dividem entre os que fariam de tudo para proteger as mulheres adormecidas e aqueles que querem aproveitar a crise para instaurar o caos. Grupos de homens formam as “Brigadas do Maçarico”,incendeiam em massa casulos, e em diversas partes do mundo guerras parecem prestes a eclodir. Mas na pequena cidade de Dooling as autoridades locais precisam lidar com o único caso de imunidade à doença do sono: Evie Black, uma mulher misteriosa com poderes inexplicáveis. Escrito por Stephen King e Owen King, Belas Adormecidas é um livro provocativo, dramático e corajoso, que aborda temas cada vez mais urgentes e relevantes.


Sobre o livro

De repente, todas as mulheres do mundo, independentemente da idade, ao dormirem, têm seus rostos envoltos em uma espécie de fibra branca que parece um casulo. Contudo, apesar desse estranho fenômeno, elas continuam a viver, porém não acordam. Caso alguém tente arrancar o material de seus rostos, elas acordam numa fúria sobrenatural, matam o responsável pelo ato e voltam a dormir. Quando a notícia desse estanho acontecimento começa a surgir, as mulheres tentam, de todas as maneiras, ficar acordadas, e esse misterioso evento ganha o nome de Epidemia Aurora.

Na cidade de Dooling, a polícia é acionada pois dois homens, traficantes da região, foram mortos. Assim no caminho para o local, a xerife Lila encontra uma misteriosa mulher, Evie Black, que sendo a suspeita dos assassinatos é levada ao Sistema Prisional Feminino de Dooling. Mas conforme as horas passam, e a Aurora atinge as mulheres da cidade e do mundo, Evie dorme e acorda normalmente, e, ao que tudo indica, ela é única mulher no mundo a conseguir fazer isso. Esse fato chama a atenção de algumas pessoas no presidio, e o Dr. Norcross, o psiquiatra da prisão, fica responsável por investigar melhor as coisas que Evie fala, pois ela afirma estar ligada aos acontecimentos.

Contudo, conforme mais mulheres dormem, os homens entram em desespero total, alguns tentam acordar suas mulheres e morrem, sem falar nos filhos pequenos que ficam sozinhos ao lado de mães que dormem. Mas nem todo mundo está tentando ajudar, alguns homens se aproveitam da situação e outros defendem que queimar as mulheres é o deal. Até que relatos de que há uma mulher no presídio imune a “doença” se espalham pela cidade, ocasionando no sexo masculino uma espécie de revoltam, pois eles querem acordar suas mulheres e filhas. 

No meio de toda essa confusão, Evie pede ajuda do psiquiatra e ainda há mulheres que lutam para ficar acordadas. Norcross tem uma missão e está disposto a cumpri-la.



Minha opinião

A primeira coisa que você precisa saber sobre o livro é que ele tem dezenas de personagens. Mesmo com uma trama central, há outras subtramas ligadas a ela, por isso o número de personagens é bem grande. Mas não se assuste, pois logo no início do livro há uma lista com o nome, idade e profissão de cada um, contudo garanto que você não vai precisar consultá-la, pois King e Owen nos transportam para a cidade de Dooling de uma forma tão profunda e intensa, que é como se conhecêssemos cada um dos todos os habitantes, assim, conforme avançamos na trama, conhecemos a história de cada personagem, seus problemas e o modo como encara o problema da epidemia.

Mesmo com esse grande número de personagens, facilmente conseguimos identifica-los na história, pois a construção deles foi feita gradualmente, todos ganham suas características, assim não confundimos ninguém. Alguns personagens secundários apareceram bastante, o que dá uma importância igual à dos principais. Sem falar que King e Owen apresentam homens e mulheres tão completos, mostrando suas histórias além do momento presente.

A narrativa em terceira pessoa tem como foco vários desses personagens, isso aproxima ainda mais o leitor a eles. Em muitos momentos, é comum ver do que os homens perdendo a razão ou usando de seus instintos mais animais sobre as mulheres. Há uma referência bíblica muito interessante na história, que traz alguns questionamentos sutis. Como a escrita do King é sempre detalhada, não consegui diferenciar os dois autores, pois nesse livro isso também acontece, contudo não achei o texto tão prolixo assim, o que pode ser influência de Owen. Mesmo com todas as informações mais detalhadas, que podem parecer desnecessárias, e as dezenas de personagens, tudo aqui está ligado.


E, sem dúvidas nenhuma, a melhor coisa do livro é a abordagem que os autores dão às diferenças de gênero, o que foi uma surpresa tento em vista que o livro foi escrito por dois homens. Eles conseguiram passar muito bem, situações e pensamentos machistas, fazendo disso uma crítica social. É claro que eles mostram que nem todos os homens são assim e que muitos são preocupados com aspectos de igualdade. O relacionamento entre homem e mulher e como cada um vê seu lugar dentro dele também foi o foco, contudo o lado feminino ganhou maior destaque. King e Owen mostraram que as mulheres estão sempre dispostas a mudar e a lutar pelo que querem, mas que não são obrigadas a aceitar o que é imposto.

Levantar o questionamento de como seria uma sociedade formada, ou por um sexo, ou por outro foi uma ótima sacada. King e Owen foram perfeitos em explorar e mostrar a essência humana e o mais terrível que isso pode ser em momentos de desespero. Através de temas, como machismo, índole e princípios, eles apresentam uma trama elaborada e com um foco na força feminina. Baita livro!!

Ele se perguntava porque diabos o mundo tinha sido criado. As coisas boas eram poucas, e todo o resto era horrível.

2 comentários

  1. Oi
    Tudo bom?
    Acredita que ainda não li nada do King?
    Confesso que esse livro me chamou bastante atenção e quero saber pq só ela é imune.
    Parabéns pela ótima resenha.
    Beijos

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  2. Olá,
    Estou lendo no momento, ainda estou no começo mas a história está bem interessante. Sobre o questionamento da sociedade eu previ que algo viria vindo de como o livro começou.

    Debyh
    Eu Insisto

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