Resenha: Não me Abandone Jamais - Kazuo Ishiguro

15 janeiro 2018

Título: Não me Abandone Jamais
Título original: Never let me go
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016
Páginas: 344
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição. Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.


Sobre o livro

Kathy tem 31 anos e há 11 trabalha como cuidadora. Agora, o momento de virar uma doadora está chegando, e com isso uma certa melancolia toma conta dela, que começa a lembrar toda sua trajetória de vida desde o período que ficou no internato Hailsham até seus últimos dias como cuidadora.

Nesse caminho, ela foi acompanhada por dois amigos, Tommy e Ruth. Os três, cresceram no internato, que era isolado, tiveram uma excelente educação, mas tudo isso era para um único objetivo, serem doadores. Assim, ela conta como foi crescer em um ambiente desses, mostrando suas experiências com amigos, a falta de uma família, como lidava com as incertezas que encontramos na adolescência.

Minha opinião

Eu não tinha conhecimento sobre a problemática do livro quando comei a lê-lo, e isso foi a melhor coisa, pois Ishiguro vai deixando as pistas ao longo do caminho. Tudo é muito sutil e está nas entrelinhas, somente quando chegamos ao final do livro é que vemos toda a verdade sobre os temas apresentados.

A narrativa é feita primeira pessoa, Kathy compartilha com o leitor suas lembranças, o foco da história é centrado nela e na sua relação com os dois melhores amigos, Tommy e Ruth. Essa narrativa é feita em tom de conversa, em muitas partes, Kathy para o que está contando para fazer comentários e, algumas vezes, até para dizer que não se lembra direito daquilo que está contando. Isso deixa a narração bem pessoal, mas deixa dúvidas quanto a veracidade de tudo que ela conta, pois estamos acompanhando uma narradora nada imparcial.


Chega a ser bonito o modo como Kathy se refere aos anos que passou no internato, consegui sentir o carinho dela àqueles anos que passou lá, há um tom bem nostálgico na narração. Senti uma tristeza presente, e conforme a leitura avança esse sentimento vai ficando mais pesado. 

A história é dividida em três partes, uma para cada momento da vida de Kathy, o tempo que passou no internato, o período em que passou no casarão e depois quando se formou uma cuidadora. A escrita de Ishiguro é simples, leve e muito envolvente, o que tornou a leitura prazerosa e rápida. A narração possui um tom de suspense, e, em mais da metade do livro, há alguns mistérios sobre as crianças do internato, que vão sendo respondidas aos poucos. Não há uma ordem cronológica, pois Kathy muitas vezes começa a contar um fato e no meio da narrativa lembra outro, assim só retornando para o acontecimento anterior depois. Mas o mais incrível é que em nenhum momento me perdi com o que estava sendo contado e tudo tem uma ligação.

O livro todo é centrado nesses 3 personagens. Os amigos são pessoas bem diferentes, Kathy é ingênua e doce; Tommy tem um temperamento instável, mas é um bom amigo; e Ruth, que assume uma espécie de liderança, é dissimulada, manipuladora e egoísta. O modo de vida no qual eles levavam no internato era muito diferente do normal, tudo que era feito em Hailsham tinha um propósito, só que muito pouco sobre isso era falado pelos guardiões (professores) aos alunos. Sendo assim, praticamente todos os assuntos eram tratados como tabus, e os estudantes, ou ficavam sem saber, ou falavam entre eles pelos corredores. Isso foi o que mais me chamou atenção, pois tive a impressão que eram os alunos que transformavam mais da metade dos assuntos em segredos grandiosos demais.

Há um debate sobre o verdadeiro gênero em que o livro se enquadraria, já que ele é denominado como uma ficção cientifica. Eu não vejo ele assim, apesar de ver alguns elementos do gênero, contudo eu diria que ele é um romance, que tem até um quê de distopia. Não me Abandone Jamais vai falar sobre amizade, escolhas, amor e sofrimento, enquanto mostra que, quando o assunto é a vida e a morte de quem amamos, estamos dispostos a ferir a moral e a ética. Kazuo Shiguro mostra por quê é o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura.



4 comentários

  1. Oi.
    Tudo bom?
    Não conhecia o livro, mas achei a historia bem interessante e estou doida para saber tudo o que aconteceu com ela.
    Gosto muito de narrativa em primeira pessoa.
    Beijos

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  2. Oii tudo bem?
    Realmente eu não conhecia o livro e nem a obra que resenhastes, mas fiquei bem interessada principalmente em relação do descobrimento da existencia e uma obra q nos faça refletir, dica anotada.
    Abraços

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  3. Hey, Lê!

    Eu sei que Kazuo Ishiguro tem sido recomendadíssimo por todos os leitores e tenho muita vontade de ler um de seus livros, mas eu não consegui me interessar pela premissa desse. Não sou fã de ficção científica, nem de distopias. Acho melhor eu começar por outro livro dele antes.

    Beijos!

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  4. Oi, tudo bem?
    Eu ainda não li esse livro e tinha curiosidade, porém, me contaram praticamente a história toda e isso tirou totalmente a graça para mim. Em um livro normal, eu já perderia a vontade de ler, mas eu acho que esse é um que precisa realmente ser lido sem saber nada.
    Acredito que sua experiência de leitura fui muito mais interessante por você ter lido sem conhecer a trama antes e fico feliz que você tenha gostado. Infelizmente, não pretendo ler, mas acho que deve ser uma leitura muito interessante mesmo.
    Beijos!

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