Resenha: No seu Pescoço - Chimamanda Ngozi Adichie

04 janeiro 2018

Título: No seu Pescoço
Título original: The thing around your neck
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 240
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: No seu pescoço contém todos os elementos que fazem de Adichie uma das principais escritoras contemporâneas. Nos doze contos que compõem o volume, encontramos a sensibilidade da autora voltada para a temática da imigração, da desigualdade racial, dos conflitos religiosos e das relações familiares. Combinando técnicas da narrativa convencional com experimentalismo, como no conto que dá nome ao livro — escrito em segunda pessoa —, Adichie parte da perspectiva do indivíduo para atingir o universal que há em cada um de nós e, com isso, proporciona a seus leitores a experiência da empatia, bem escassa em nossos tempos.



Sobre o livro

No seu Pescoço, originalmente lançado em 2009, mas publicado no Brasil somente esse ano pela Companhia das Letras, é o primeiro livro de contos da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, autora de Hibisco Roxo, Americanah, entre outros. O livro é composto por 12 contos, que mostram a dura realidade do povo da Nigéria nos mais diversos contextos.


Havia emoções que Janara queria segurar na palma da mão, mas que simplesmente não existiam mais.

Minha opinião

Esse foi meu terceiro livro lido da autora, já li ensaio, romance e agora os contos. Depois de todas essas leituras, só posso dizer que Chimamanda virou uma das minhas autoras favoritas, pois, além de conseguir facilmente transitar em diferentes gêneros literários, ela denuncia a desigualdade de gênero, o racismo e a injustiça social de uma forma tão honesta que chega a surpreender.

A escrita de Adichie possui uma força incrível, ela emociona, assusta e encanta. Os contos são escritos tanto em primeira pessoa quanto em terceira, mas em dois contos a autora usa a narração em segunda pessoa para aproximar o leitor dos sentimentos das protagonistas. Eu consegui sentir muito bem o que estava sendo proposto e consegui me colocar no lugar da personagem com mais facilidade.

O foco das históricas é bem variado, mas eu senti que a mulher está no centro de todos eles. Através deles, ela mostra a realidade do povo nigeriano, que em muitos momentos me assustou e chocou, principalmente quando a mulher foi apresentada como fraca e dependente do homem e sendo tratada, na maioria dos casos, como inferior. Além disso, em dois contos, Chimamanda desmitifica a ideia de que os Estados Unidos é o melhor lugar para um imigrante morar e prosperar, mostrando as dificuldades encontradas por pessoas que buscam nesse país uma vida melhor, mas são vistas como intrusas.

Eu amei muito praticamente todos os contos, mas tenho dois preferidos: A cela um, o primeiro conto do livro, a saga de uma família que visita o filho mais velho na prisão, mostra que o amor de uma mãe não tem limites e prova que todo mundo tem princípios. Em Jumping monkey hill, através de Ujunwa, vamos conhecer um grupo de escritores africanos que se reúnem num resort para uma oficina literária. Nesse encontro, Ujunwa prova que nem tudo é ficção.

Quando li Hibisco Roxo, eu já tinha sido surpreendida pela realidade do povo africano, mas agora consegui ver melhor a diversidade da cultura e luta diária das pessoas em busca de uma vida melhor, principalmente na Nigéria. Tudo isso levou-me, em todos os contos, a muita reflexão sobre as mais variadas injustiças que ocorrem em todo lugar do mundo. 

Esse livro confirma que Chimamanda é uma grande escritora e que seu foco, mesmo quando denuncia outros temas, é o feminismo e o empoderamento feminino. Quem gosta de seus livros vai adorar essa leitura, e, para quem ainda não conhece a escrita da autora, No seu Pescoço é uma ótima oportunidade de se apaixonar por suas histórias.



8 comentários

  1. Oi
    Não conhecia esse livro, mas já ouvi falar da autora.
    Mesmo você tendo.gostado do livro eu vou declinar a dica,pois não curto muito livros com contos.
    Beijos

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  2. Oi, Lê Tudo bem?
    Ai, guria, acredita que ainda não li nada dessa autora? Estou sempre pra ler alguma coisa dela e sempre me enrolo e perco a oportunidade. Adoro a temática das obras dela. No seu pescoço parece ser incrível, como tudoo que ela escreve. Beijos <3

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  3. Olá, fico feliz ao saber que gostou desse livro, pois eu o adquiri recentemente por querer conhecer mais da escrita da autora e por amar contos. A autora parece mesmo sensacional pelo seu post.

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  4. Tenho ouvido falar muito dessa autora ultimamente, e cada resenha que leio eu fico com mais vontade de ler as obras dela. Adorei a resenha, dica anotada!!!
    Bjs

    https://blog-myselfhere.blogspot.com/

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  5. Aaai eu to louca pra ler esse livro, mas ainda não consegui@ Estou lendo outro que também fala sobre a luta das mulheres por direitos iguais, chamado Os homens explicam tudo para mim.

    Um Metro e Meio de Livros

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  6. Olá, tudo bem?
    Até hoje, eu só tive contato com a escrita da Chimamanda através do livro Sejamos feministas. No entanto, Americanah e Hibisco Roxo estão na minha meta de leitura. Depois de ler sua resenha, vou adicionar este livro também.
    Apesar de não ser muito fã de contos, a escrita da Chimamanda é tão forte e inspiradora que acredito que vale a pena. Além disso, gostei de saber que as mulheres estão no centro dessas histórias e fiquei muito curiosa para conferir esses contos que você destacou.
    Adorei sua resenha e já adicionei o livro na minha wishlist.
    Beijos!

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  7. Oi Lê,
    Ainda não li nada da Chimamanda. Sei da importância dela ao discutir temas importantes, polêmicos e impactantes, mas não é um assunto que me atrai em um livro. Também não sou muito fã de contos, portanto, se for sair da minha zona de conforto, provavelmente não será com essa obra da autora. Mesmo assim, gostei da resenha.
    Beijos,
    André | Garotos Perdidos

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  8. Olaaaa
    Nossa eu tô louca por todos dá autora. Consegui hibisco roxo recentemente e já quero para ontem, esse esta na minha lista e deposda sua resenha é impossível não desejar ainda mais, amo a autora por ela retratar o empoderamento feminino, amei

    Beijos

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