Resenha: A Noite da Espera - Milton Hatoum

01 janeiro 2018

Título: A Noite da Espera
Série: O Lugar mais Sombrio #1
Autor: Milton Hatoum
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 240
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Nos anos 1960, Martim, um jovem paulista, muda-se para Brasília com o pai após a separação traumática deste e sua mãe. Na cidade recém-inaugurada, trava amizade com um variado grupo de adolescentes do qual fazem parte filhos de altos e médios funcionários da burocracia estatal, bem como moradores das cidades-satélites, espaço relegado aos verdadeiros pioneiros da capital federal, migrantes desfavorecidos. Às descobertas culturais e amorosas de Martim contrapõe-se a dor da separação da mãe, de quem passa longos períodos sem notícias. Na figura materna ausente concentra-se a face sombria de sua juventude, perpassada pela violência dos anos de chumbo.

Sobre o Livro

A Noite da Espera é o primeiro volume da trilogia O Lugar Mais Sombrio. Tendo como pano de fundo Brasília nos anos de chumbo, em plena ditadura militar, Milton Hatoum nos narra em primeira pessoa a história de Martin, um exilado em Paris no fim dos anos 70 que com sua memória e anotações de diários reconta sua vida a partir do maior rompimento que já teve que passar: o familiar.

A mãe, apaixonada por um artista, decide abandonar o casamento e viver seu grande amor, o que obriga Martin a viver com o pai ausente emocionalmente (e posteriormente fisicamente), em Brasília.


Minha Opinião

Eu já era muito curiosa para ler Milton Hatoum, isso depois de todo o sucesso e divulgação que teve por conta da adaptação para minissérie do seu livro Dois Irmãos. Acabei sempre adiando a compra desse livro e de repente me deparei com a oportunidade de ler o mais novo lançamento do autor. Não pensei duas vezes e agarrei com todas as forças essa oportunidade. Não tinha lido muito sobre a história antes e por conta disso eu não estava já tão animada quando o livro finalmente chegou, mas eu me animei total quando vi que o livro tinha vindo autografado e comecei a leitura logo de cara.

A Noite de Espera é um romance de formação, isso quer dizer que o que vamos encontrar nessa leitura é um jovem e toda sua transformação durante os anos até sua vida adulta, seu amadurecimento. Apesar da situação política difícil e extremamente pesada em seu ambiente e de toda a revolução, Martin tem sua própria luta dentro de si. Ele sofre pela perda da mãe, que depois de algum tempo simplesmente para de escrever para ele, sem falar do pai que sempre foi ausente emocionalmente e que uma hora parte sem fazer questão do filho. Martin é um rapaz solitário que luta contra seus próprios demônios.


E isso é bem estranho de se ver, ele tem amigos de diferentes situações econômicas e que são militantes e ele constantemente está no meio disso tudo, porém não ativamente. É claramente visto que apesar de estar ali e ter um mínimo de preocupação ele na verdade não dá a mínima, pois seu foco não é esse e nunca será. Sinto que Martin simplesmente caiu nessa situação sem querer (o que de fato é já que amizades as vezes acontecem sem percebemos) e ali ficou por pura preguiça. O personagem é tão focado em sua guerra interior que eu não consigo sentir que suas relações com seu grupo sejam sinceras. Pelo menos não totalmente. É quase superficial. Mas isso pode ser apenas uma impressão minha, porque afinal tudo que nos é contado é fruto de memórias e anotações, e Martin em boa parte do tempo apenas descreve o que acontece.

O que encanta em A Noite de Espera é a forma seca e simples como é narrado, o crescimento do personagem, a eterna dúvida e angústia que ele é obrigado a levar no peito e como isso afeta suas relações e como ele se comporta perante seu ambiente. Ao contrário do que eu achava antes de ler o livro, não é sobre a ditadura, não como plano principal, mas sim sobre um ser humano perdido entre seus sentimentos e lutando contra o que ele não pode controlar. É doloroso ver a tristeza de Martin, mas assim como ele nós não podemos fazer nada além de seguir em frente.


Talvez seja isto o exílio: uma longa insônia em que fantasmas reaparecem com a língua materna, adquirem vida na linguagem, sobrevivem nas palavras...



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