Resenha: O Livro do Juízo Final - Connie Willis

08 janeiro 2018

Título: O Livro do Juízo Final
Título original: Doomsday Book 
Série: Oxford Time Travel #1
Autora: Connie Willis
Editora: Suma
Ano: 2017
Páginas: 576
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Para Kivrin, que se prepara para um estudo de campo em uma das eras mais mortais da história humana, viajar no tempo é tão simples quanto tomar uma vacina desde que seja uma vacina contra as doenças encontradas na Idade Média. Já para seus professores, isso significa cálculos complexos e um monitoramento constante para garantir o reencontro. No entanto, uma crise de proporções inimagináveis pode colocar o futuro de Kivrin, e de todo o Reino Unido, em perigo. Seu professor mais próximo, o sr. Dunworthy, fará de tudo para resgatá-la. Mas até que ponto é possível desafiar a morte.



O Livro do Juízo Final, publicado originalmente em 1992, é o primeiro volume da trilogia de ficção cientifica Oxford Time Travel. Os próximos livros dá série, To Say Nothing of the Dog (1998) e Blackout/All Clear (2010), ainda não têm previsão de lançamento no Brasil. Mesmo fazendo parte de uma trilogia, os livros ser lidos separadamente.

Sobre o livro

Inglaterra, 2054. A universidade de Oxford agora oferece aos estudantes que querem ser historiadores a possibilidade de viajar no tempo, para assim saberem mais sobre um determinado período. Kivrin Engle, depois de dois anos de preparo, vai fazer seu primeiro salto, seu objetivo é o século XIV, a Idade Média, mais precisamente o ano de 1320.

Contra a vontade de Dunworthy, seu orientador, vacinada contra todos os tipos de doenças e caracterizada para a época, Kivrin finalmente faz o salto, sua volta está programada acontecer em duas semanas. Dunworthy e sua colega Mary estão em um bar esperando sair o Fix (posição exata do salto) quando o técnico responsável pelas coordenadas, Badri, chega e diz que algo deu errado, contudo antes que alguém posso descobrir o que é, ele desmaia. Rapidamente, as coisas fogem do controle, e em poucas horas a cidade entra em quarentena, em decorrência de um vírus desconhecido.

Para ajudar com toda a confusão, é dezembro e as pessoas estão preocupadas com o Natal ou saíram de férias. Como resultado da quarentena e do fato de Badri estar desacordado, Dunworthy não consegue saber qual foi o problema com o salto e não consegue achar outro técnico para descobrir o que aconteceu. Já no século XIV, as coisas não acontecem conforme Kivrin imaginou, e isso pode ser um problema.


 Minha opinião

O melhor desse livro é com certeza o contexto histórico dele. Com certeza, Willis fez um grande estudo sobre a Idade Média para construir uma trama que aborde essa época e os costumes do povo. Além disso, ela usa elementos que aproximam o leitor do ano de 2054, que fora a viagem no tempo, que aqui é bem comum, não há muitas coisas diferentes da nossa realidade, o que deixa essa parte da narrativa muito verdadeira. No meio de toda essa confusão de quarentena e século XIV, Connie ainda traz questionamentos sobre confiança, religião, fé e esperança.

Outro forte no livro é construção dos personagens, a autora soube desenvolvê-los com calma e fazendo com que o leitor goste, fortemente, de todos eles, como foi o meu caso. Kivrin é uma menina determinada, forte e com bom coração. Dunworthy só tem uma preocupação durante toda a trama, Kivrin, isso pode deixá-lo chato em alguns momentos, mas encarei mais como uma preocupação tipo de pai, já que ele ficou tanto tempo ensinando e preparando a estudante. Colin, um menino de 12 anos, ganha destaque na história, ágil, esperto e sempre pronto para ajudar, ele mostra que os pequenos atos ajudam mais do que imaginamos. Tanto na Idade Média quanto no século XXI, todos os personagens secundários são bem caracterizados e muito reais, gostei até dos mais irritantes.



Nenhuma das coisas com que a gente se preocupa jamais acontece. Acontece uma que a gente nunca imaginou.


A história é dividida em três partes, para cada uma tive uma sensação diferente. Na primeira, pensei: “Nossa que livro interessante, estou curtindo”; já na segunda: “Mas é bem cansativo, será que não vai acontecer nada de mais eletrizante?”; e na terceira: “Nossa que livro maravilhoso, não consigo parar de ler!”. Com isso, só posso dizer para vocês, a leitura é um pouco cansativa, mas vale cada linha, pois Connie escreveu uma história muito grandiosa.

A narrativa em terceira pessoa tem o foco intercalado entre o século XIV e o ano de 2054. Mas em algumas partes há, em primeira pessoa, o registro que está sendo feito pela Kivrin em um dispositivo implantado em sua mão de tudo que ela está vivendo. É muito angustiante ver o que acontece nos dois momentos e saber que nada pode ser feito pelos personagens para mudar o que está os fatos do momento.

A escrita de Connie Willis é simples, envolvente e bem detalhada. Algumas partes podem parecer lentas, pois a autora leva o leitor a uma imersão nas narrativas, contando todo que está acontecendo, praticamente nada passa sem ser narrado. Sem dúvidas, tudo que foi apresentado sobre a Idade Média deixou a experiência de leitura muito rica, aprendi muito.

Não é por nada que Connie Willis é uma das mais prestigiadas e premiadas autoras de ficção científica. Com uma protagonista feminina, ela mostra que viajar no tempo também é para mulheres. Tenho certeza que todo fã do gênero vai adorar O Livro do Juízo Final.


6 comentários

  1. Hey, Le!

    Mesmo lendo sua resenha tão bem escrita e sua recomendação, não consegui me interessar pelo livro. Gosto muito de histórias que se passam na Idade Média, mas não sou fã de ficção científica, então acho que não leio esse livro, não.
    De qualquer maneira, me parece uma boa pedida pra quem gosta do tema.

    Beijos!

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  2. Oi
    Nunca tinha ouvido falar desse livro, confesso que fiquei super interessada nele ainda mais que tem viagem no tempo, mas não sei se leria, pois leitura cansativa eu to fora.
    Excelente resenha.
    Beijos

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  3. Olá, Lê! Tudo bem?

    Gostei das suas impressões e informações, adorei saber sobre o contexto histórico inserido na trama, eu peguei esse livro se não me engano no final de novembro e ainda não li, pretendo fazer isso logo! Amo ficção científica!
    Abraço!

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  4. Acho que não há nada melhor do que gostar de todos os personagens, haha. Isso é bom, deve ser bem difícil criar personagens irritantes que a gente goste. Deve ser uma boa leitura pra quem curte história também. Admito que não é o meu forte (não digo da História em si, mas da temática), mas parece ser um bom livro ^^

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  5. Oi, tudo bem?
    Eu adorei a capa desse livro! Saber que tem todo um contexto histórico e personagens bem construídos me deixa ainda mais curiosa. Obrigada pela dica. Beijos <3

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  6. Eu vi muita gente falando que esse livro é cansativo, mas na verdade achei ele incrível e nada cansativo. Claro que é questão de opinião e todo livro é diferente dependendo de quem o lê. Mas, para mim, ele virou favorito da vida. Amo demais a história, a pesquisa que a Connie fez e as personagens, especialmente a Kivrin.

    ;*

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