Resenha: O Evangelho de Loki - Joanne M. Harris

14 junho 2018

Título: O Evangelho de Loki
Autor: Joanne M. Harris
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2016
Páginas: 336
Para saber mais: Skoob
Sinopse: Com sua notória reputação para trapaças e enganações, Loki é um deus nórdico sem igual. Nascido demônio, é visto com profundas suspeitas por seus companheiros deuses, que jamais o aceitarão como um deles; por conta disso, Loki promete se vingar. Mas enquanto o deus-demônio planeja a derrocada de Asgard e a humilhação dos seus opressores, poderes maiores conspiram contra os deuses e uma batalha é arquitetada para mudar o destino dos Mundos. Do recrutamento por Odin do reino do Caos, através dos anos como solucionador de problemas de Asgard, até a perda do seu posto no desenrolar para o Ragnarök, este é o Evangelho de Loki, a sua longa e curiosa versão da história — e se alguém disser o contrário, não acredite!


Sobre o livro


Após o universo sair de seu estado primitivo, onde apenas ordem e caos, gelo e fogo, escuridão e luz existiam, surgiu-se a vida e com ela todas as coisas, mais tarde, se formaram, reinos, deuses, pessoas e animais.

Loki estava em seu estado de caos, o fogo. Essa era sua forma original e assim ele vivia, até que Odin o procurou para fazer uma proposta, ele precisava de alguma entidade do caos para trazer equilíbrio no seu recente reino. E assim, Loki fez um pacto com Odin e se transformou da sua forma de entidade do caos em uma figura humanoide como os deuses são.

Com sua nova vida em Asgard, Loki descobriu as necessidades e os prazeres de ter um corpo. No começo, ele se sentia excluído e os outros deuses não gostavam dele, então Loki começou a usar de seus truques para ganhar notoriedade e por favores políticos, fazendo isso por muito tempo. Após ajudar e a também causar problemas em Asgard e em outros reinos, Loki percebe que Odin está mais distante e preocupado com algo, assim ele investiga e acaba descobrindo sobre a profecia do Ragnarök. E então Loki se prepara para o crepúsculo dos deuses e com ele o destino de todos. 


Minha opinião

No começo, eu não sabia se seria apenas mais um livro recontando as velhas histórias mitológicas ou se teria algo a mais que fizesse valer a leitura. No final, o livro teve sim suas particularidades interessantes sobre a mitologia nórdica, e muito dela veio pela própria proposta de trazer Loki como o protagonista e a sua visão sobre os acontecimentos.

Loki é despreocupado, calmo e observador, faz planos para se dar bem e aproveita muito os prazeres de ter um corpo. Dentro da corte de Asgard, deuses possuem suas ambições e personalidades, uns se gostam e outros se toleram, e conspirações entre eles não faltam, assim as relações são construídas, mas apenas a relação entre eles e Loki que é aprofundada. Os deuses apesar de serem bem caricatos, com personalidade e temperamento bem sólidos, são apresentados com necessidades e ambições humanas, assim como gostam de ostentar e de viver bem. E, nessa corte, que conspira contra Loki, ele tem de fazer favores e favorecer outros para ter seu lugar e poder entre os deuses.


A narrativa é em primeira pessoa na visão de Loki e trata os motivos que o levaram a fazer seus truques, o que foi bem construído, pois a narrativa é muita solta, como se ele estivesse tendo um papo casual sobre a vida dele com o leitor. O livro flui bem, apesar de não ser tão envolvente, a história já é muito conhecida e não há nada de surpreendente. Apenas Loki é bem construído, e todos os outros são personagens rasos e que não trazem emoção ou particularidade para a trama.

É um mundo louco onde os deuses se devoram.

Em questão de mitologia, não há uma versão concreta, e assim versões diferentes com acontecimentos diferentes aparecem, mesmo pegando as Eddas de referência, é inevitável ter uma versão idêntica dos fatos em duas versões diferentes. Porém, eu acabei não gostando da liberdade que a autora levou para criar sua história, me parecia que qualquer um conseguia se transformar em uma criatura ou tomar uma forma humana, como Hugin, Munin, Fenrir, e provavelmente todos os outros animais, tinham sua forma humana. O uso desenfreado de runas para resolver qualquer problema também me incomodou um pouco, mas não é nada que estrague realmente a história.


O livro tem seu inicio no começo dos tempos e se resolve com o final da Era, o Ragnarök, assim sendo uma história completa. Apesar de o final não ter nada de surpreendente, ela foi bem mais elaborada que as outras versões, pois agora os precedentes do fim do mundo são bem mais construídos.

O Evangelho de Loki é uma revisão divertida e interessante da mitologia nórdica, com os deuses mais caricatos e menos heroicos. Com um pouco de conspiração, luxúria e uma boa dose de aventuras bizarras que só Loki pode nos proporcionar, O Evangelho de Loki acabou sendo um bom livro para se ler e apreciar ainda mais a mitologia nórdica.

Resumindo, nunca confie em ninguém.


2 comentários

  1. Olá Wesley!
    Gosto muito desse livro e curti bastante ver a história pelo ponto de vista do Loki.
    Bjs

    EntreLinhas Fantásticas

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  2. Oi! Tudo bem?

    Minha primeira vez aqui no seu blog e já dou de cara com um livro que eu não conhecia. Não sabia deste livro ainda (estou precisando me informar mais) e me interessei bastante, mesmo não sendo uma história muito surpreendente porque só está contando do ponto de vista de outro personagem. Mas me interessei por isto mesmo, por ser Loki o protagonista.
    Estou bem curiosa com a história e espero lê-lo. Adorei a resenha, obrigada pela recomendação.
    Beijos,
    Magia é Sonhar

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