Entrevista com Kimberly Brubaker Bradley #2

09 fevereiro 2018


A DarkSide Books divulgou nos últimos dias a continuação da história de uma menina aprendendo que o amor vence a guerra. A Guerra que Salvou a Minha Vida (resenha aqui) ganhou um lugar especial no coração dos leitores brasileiros. A história da pequena Ada — que, com seu irmão caçula, deixou para trás sua casa em Londres para escapar dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial — arrancou lágrimas, sorrisos e suspiros na mesma medida. A autora também deu uma entrevista falando do primeiro livro (aqui).

Sinopse: Com a guerra se intensificando lá fora, as adversidades batem à porta: o racionamento de alimentos é uma preocupante realidade, e os sacrifícios que todos devem fazer em nome do confronto partem corações e deixam cicatrizes. Outra questão é a chegada de Ruth, uma garota judia e alemã, que gera uma comoção no chalé. Seria ela uma espiã disfarçada? Ou uma aliada em meio à calamidade? Mais uma vez, Kimberly Brubaker Bradley conquista com sua narrativa carregada de sensibilidade. Seu registro historicamente preciso revela o conflito armado pela perspectiva de uma criança, além de lançar luz sobre a atual crise de refugiados, a maior desde a guerra de Hitler, que já obrigou milhões de pessoas a deixarem seus lares em busca de paz. Discutindo assuntos delicados com ternura, a autora guia o leitor por uma jornada que mostra a beleza dos pequenos gestos. E, ao revelar as camadas de seus personagens, apresenta uma história sobre amadurecimento e aceitação — principalmente para Ada, que precisa aprender a acreditar. Acreditar em sua família e em si mesma. Na resiliência que vem da dor. Na superação que vem do medo. Na empatia, que reacende a humanidade. E no amor, é claro. Em sua forma mais pura e sincera.



Autora de A Guerra que Salvou a Minha Vida fala sobre a
continuação de sua história, A Guerra que Me Ensinou a Viver

O que te inspirou a escrever a história da Ada?
Sempre planejei que essa história seria contada em dois livros. No começo do primeiro, eu falo sobre isso: “Essa história que estou contando agora começou há quatro anos, no começo do outono de 1939.” 

Neste segundo livro, vemos algumas referências a crise de refugiados. Como passado e presente conversam na sua história?
Os refugiados me lembram que, como humanos, nós continuamos a repetir os mesmos erros de novo e de novo. É melhor nós começarmos a conversa sobre esses problemas antes que seja tarde.

Em A Guerra que me Ensinou a Viver, Ada conhece a Ruth, uma garota judia e alemã. Por que você quis fazer a Ada ficar diante de uma suposta inimiga?
A Ruth é um acréscimo ao livro de várias formas. Ela mostra aos leitores que o preconceito existia antes como existe hoje. Ela me permite trazer de volta o que aconteceu com o povo judeu durante a Segunda Guerra Mundial de uma forma que faz sentido para o livro. Ela é também uma personagem que sofreu as próprias perdas, um espelho de Ada em vários momentos.

Neste livro os personagens conversam sobre o Holocausto, mas eles não sabem de sua existência ou não dão a devida atenção para o problema. Como sua pesquisa histórica te ajudou a inserir esse detalhe no livro?
Isso foi bem fácil de descobrir, a maior parte da pesquisa foi feita online. Existe um pouco de informação sobre quando os Aliados, tanto o governo quanto as pessoas comuns, entenderam o que estava acontecendo. Os vídeos feitos quando os campos de concentração ainda eram ativos foram descobertos apenas após a guerra. Em 1940, era muito mais fácil esconder informação do público.


Muitas lições podem ser obtidas de ambos os livros. Uma que se destaca em A Guerra que me Ensinou a Viver é sobre não julgar as pessoas pelo que elas acreditam ou de onde vêm. Você já recebeu relatos de leitores que decidiram mudar suas atitudes após conhecerem a história da Ada?
Não, eu recebi cartas de leitores que se sentiram julgados no passado por suas crenças ou circunstâncias e que me disseram que os livros refletem com precisão as experiências deles.

Uma das maiores lições que a Ada aprende é que se curar é possível. Durante a sua jornada escrevendo os dois livros, você acabou aprendendo alguma coisa com a ela?
Acredito que a maior parte do que Ada aprendeu eu tive que descobrir por mim mesma antes que pudesse escrever sobre ela de forma verdadeira.

Você tem a intenção de continuar essa história, fazer dela uma trilogia?
Ainda não sei! Este livro foi muito difícil de escrever e eu não voltarei com um terceiro a menos que eu possa escrever tão bem quanto esses dois. Mas, eu tenho um comichão para continuar essa história. Então, vamos ver.

Qual era seu livro favorito quando você tinha a idade da Ada?
“Uma Dobra no Tempo”, de Madeleine L’Engle. Agora é um filme com a Oprah!

Como a sua paixão pela escrita começou?
Acho que nasci com isso. Quando criança, andava pela rua e escrevia pequenas histórias na minha cabeça sobre a minha caminhada pela rua e o que eu via, o que eu sentia, onde eu estava indo. Demorei um tempo para perceber que nem todo mundo faz isso.

Qual seu ambiente favorito para escrever?
Meu marido e eu desenhamos a casa que moramos hoje. Tenho um escritório onde a minha mesa fica no fim de um jardim. Tenho janelas dos dois lados do meu computador, então tenho muita luz entrando, forte o suficiente para que eu não seja distraída pelos cavalos correndo no campo enquanto escrevo. É um ótimo espaço.

E agora o que muitos fãs querem saber: o que esperar dessa sequência?
Em “A Guerra que Me Ensinou a Viver”, Ada descobre quem ela realmente é.


Kimberly Brubaker Bradley vive com o marido e os fIlhos em uma fazenda no sopé das Montanhas Apalaches, entre pôneis, cães, gatos, ovelhas, cabras, e muitas, muitas árvores. É autora de vários livros, entre eles Leap of Faith e Jefferson’s Sons. A Guerra que Salvou a Minha Vida ganhou o Newbery Honor Book, o Schneider Family Book Award e o Josette Frank Award, além de ter sido eleito entre os melhores livros de 2015 pelo Wall Street Journal, a revista Publishers Weekly, a New York Public Library e a Chicago Public Library, entre outros. Saiba mais em kimberlybrubakerbradley.com.

7 comentários

  1. Olá, tudo bem?
    A capa desse livro é maravilhosa e eu realmente gostei muito da premissa, mesmo se tratando de algo triste. Além disso, a autora passa uma leveza que já gostei dela. Beijos <3

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  2. Hey, Lê!
    Eu adoro tudo o que se refere à guerra. Ainda não li esse livro, mas ele já está nos meus desejados. Agora, depois de ler a entrevista, o segundo livro também já vai pra lista. Tenho certeza de que vou gostar muito de ambos.

    Beijos!

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  3. oi, Lê. ^^
    Bacana a entrevista. Tenho curiosidade em ler os dois livros publicados pela Dark, porque não resisto a histórias ambientadas na Segunda Guerra...

    fiquei imaginando o cantinho dela em casa usado para escrever... lendo a descrição e visualizando na mente heehe
    bjs...

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  4. Ah, que legal conhecer um pouquinho mais da autora!
    Ainda não li o primeiro livro, mas pretendo em breve!
    Fiquei super animada com o lançamento do segundo!
    Os livros da Darkside são sempre incríveis!

    Parabéns pelo post!!

    Beijinhos!

    #Ana Souza
    https://literakaos.wordpress.com

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  5. Olá, tudo bem?
    Eu tenho A guerra que salvou a minha vida em casa, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Achei bem legal a entrevista e fiquei mais instigada a conhecer essa história. Parece que a autora fez um ótimo trabalho de pesquisa e que ela escreveu histórias muito sensíveis e reflexivas.
    Adorei o post e espero ler os dois livros em breve.
    Beijos!

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  6. Olá,
    Achei fascinante o quanto dela ela passou para a personagem. Desde o que ela disse sobre o quanto o aprendizado foi passado para personagem até sobre de onde veio seu desejo de começar a escrever. Muito interessante.

    Debyh
    Eu Insisto

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