Resenha: O Elefante Desaparece - Haruki Murakami

15 julho 2018

Título: O Elefante Desaparece
Título original: Zō no shōmetsu
Autor: Haruki Murakami
Editora: Alfaguara
Ano: 2018
Páginas: 314
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.

Sinopse: Coletânea com dezessete contos de Haruki Murakami, um dos autores mais aclamados da literatura japonesa. O universo fantástico se abre mais uma vez. Um homem vê seu elefante favorito desaparecer, dois recém-casados sofrem de uma fome avassaladora que os faz roubar uma lanchonete no meio da noite, e uma jovem mulher descobre que a forma de se livrar de um pequeno monstrinho verde pode estar ligada a seus próprios pensamentos: esses são apenas alguns dos contos que integram essa seleção de dezessete histórias. Por vezes assustador, por vezes hilário, O elefante desaparece é mais uma prova da habilidade que Murakami tem de ultrapassar as fronteiras da realidade — e de voltar carregando um tesouro. 




Sobre o livro 

Publicado no Brasil agora em 2018, O Elefante Desaparece é uma coletânea de 17 contos de Murakami. Entre eles há o conto Sono, que já tinha sido publicado pela editora Alfaguara em 2015, em uma edição de luxo.

Minha opinião

Sempre fico receosa de ler contos, pois eu não tenho muita experiência com eles e sempre acabo com medo de ficar perdida, não entender nada ou mesmo ficar com tédio. Felizmente, isso nunca aconteceu desde que resolvi dar uma chance a eles. Haruki Murakami é um autor conhecido e muito bem falado pelos meus círculos de amigos, e assim como acontece quando eu vou ler outros autores que já possuem certa credibilidade, eu fiquei com muito medo de odiar a escrita dele ou de simplesmente não gostar dos contos. Felizmente isso também não aconteceu.

Vale lembrar que esse é meu primeiro contato com Murakami, e por isso eu não faço a menor ideia se seus outros livros seguem a mesma linha desses contos. Mas o que eu encontrei aqui foram histórias em que eu facilmente acreditei serem verdadeiras, mesmo quando o que estava acontecendo ali era completamente fora do comum! E fiquei extremamente feliz, pois eu acho muito difícil você passar para seu leitor essa sensação de realidade quando está narrando algum fato sobrenatural ou surreal.


As personagens de Murakami são em sua maioria pessoas solitárias e com vidas comuns e até monótomas e que de repente se veem em uma situação peculiar e que não encontram respostas para suas dúvidas, que se apresentam perante aquelas circunstâncias. O que me fez refletir bastante sobre a vida em si, já que é bem comum eu, por exemplo, acabar lendo algum livro e pensar "poxa, porque minha vida não pode ser como um livro?". Mas acontece que ela pode ser sim! É só questão de perspectiva. Eu acredito nisso.

Tenho uma brincadeira com um amigo meu, pois pela visão dele eu vivo em uma grande sitcom e para mim eu vivo num grande drama. Desde que ele me disse isso, eu pratico o exercício de tentar ver minha vida de forma diferente, pois nós podemos não acreditar mas isso conta muito! Há sim uma diferença entre não fazer nada e esperar que tudo fique bem e enxergar as coisas de forma diferente. Nós, seres humanos, temos uma capacidade incrível de não ver as coisas como elas realmente são, e isso acaba nos deixando frustrados. 

Pode parecer que eu tenha divagado agora, mas meu ponto é que apesar das situações estranhas e surreais aqui narradas, em nenhum conto eu senti que os personagens se colocavam em um buraco escuro por conta da sua situação. Me parece que eles encaravam suas vidas e os pontos em que não entendiam o porquê daquilo estar acontecendo de forma pacífica, entendendo que não estava em seu poder mudar aquilo, o que consequentemente não os davam motivos de ficarem estressados e frustados. Aceitavam, viviam e a vida deles continuavam. Porque no fim, tudo passa e nossa vida continua. 

Ao meu ver, os contos são neutros e mostram uma forte resiliência dos personagens e nos força a ser assim também. A escrita de Murakami vicia e te faz passar por diversos sentimentos até que no fim, você é forçado a se adaptar com a ideia de que as respostas que você tanto ansiava, não chegaram. E tudo bem.


Um comentário

  1. Eu ainda não li nada do Haruki e também não conhecia o livro. Gosto de contos, principalmente quando conseguem diante de uma quantidade mais reduzida de palavras, trazer ao leitor uma intensidade tão grande, ou às vezes, até maior que um livro inteiro. Diante das considerações sobre o livro e das sensações experimentadas, fico, no mínimo curioso pra fazer a leitura também.

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