Resenha: Cartas a D.: História de um amor - André Gorz

13 agosto 2018

Título: Cartas a D. - História de um amor
Título original: Lettre à D.: Histoire d'un amour
Autor: André Gorz
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2018
Páginas: 104
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Uma das declarações de amor mais conhecidas e emocionantes de nosso tempo, este livro é também uma afirmação comovente de companheirismo entre duas pessoas apaixonadas."Você está para fazer 82 anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que 45 quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz 58 anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca." Assim André Gorz inicia sua carta de amor a Dorine, mulher ao lado de quem ele passou a vida e que há alguns anos sofria de uma doença degenerativa incurável. Como um dos principais filósofos do pós-guerra francês, Gorz escreveu inúmeros livros influentes, mas nenhuma de suas obras será tão amplamente lida e lembrada quanto esta carta simples e bela, em que ele rememora tanto a história de companheirismo, amor e militância do casal como a trajetória intelectual que percorreram juntos.Um ano após a publicação de Carta a D., um bilhete encontrado na casa onde moravam fez as vezes de pós-escrito à narrativa: André e Dorine tiraram a própria vida juntos, numa renúncia comovente a viver sozinhos.


Sobre o livro


André Gorz foi um filósofo, jornalista, escritor, economista e sociólogo austro-francês e ajudou a fundar em 1964 o Le Nouvel Observateur, uma revista de informação semanal da França que teve uma grande importância na época. Cartas a D. é uma pequena biografia que tem como foco principal o seu relacionamento com Dorine, com quem foi casado até o final de sua vida.



Minha opinião 

Ao ler a sinopse e me deparar com uma proposta como essa, uma carta de amor dedicada a sua mulher, eu fiquei muito animada para ver como isso se daria. Quando penso em cartas de amor, logo me vem à cabeça um texto a mão em um papel rosa ou com algum tipo de gravura onde ali se encontra diversas frases bonitas e às vezes até meio sem nexo, uma simples tentativa de colocar em palavras a forma como se sente em relação a outra pessoa. Por conta disso, achei que encontraria um livro cheio de clichês e frases de efeito. Mas não é isso que André Gorz faz.

André Gorz era um intelectual, e mesmo que sua história de amor tenha começado, como ele mesmo diz, quase a primeira vista, seu relacionamento com Dorine não é movido apenas pelo sentimento. Na verdade, qual relacionamento é? Nós tendemos a acreditar que só é puro e verdadeiro se for além da lógica, mas André nos lembra que isso é balela. Toda sua carta a Dorine é um relato de como ter ela em sua vida o torna melhor do que ele seria sozinho. 

Ela tem grande influência em seus trabalhos, e aqui ele tenta redimir todas as vezes em que não deu os devidos créditos a ela. Muito mais que admirar sua beleza, André ama Dorine por tudo que ela é: desde seu corpo até sua mente. Ele, sendo muito focado em teorias, sempre acabava se esquecendo de colocar em seus trabalhos seu lado mais humano, como ele diz em certa parte:

Você sempre respondia que a teoria sempre ameaça se tornar um constrangimento que nos impede de perceber a complexidade movediça da realidade. [...] Você não precisava de ciências cognitivas para saber que, sem intuições ou afetos, não há nem inteligência, nem sentido.

No fim, ao meu ver, André Gorz quis demonstrar da melhor forma que podia seu amor por Dorine. Sendo um homem focado mais na parte racional é completamente comum sua carta não ser cheia de frases de efeito como eu achei que seria. E essa é a melhor parte, não é forçado de nenhuma maneira. Eu não conhecia o autor e nem seu trabalho e não sei se irei conhecer, mas fico feliz de poder ter tido a oportunidade de ver sua demonstração de amor com sua mulher desde o dia em que se conheceram até a velhice. É belo de se ver que é possível sim ter uma relação boa e duradoura com alguém, muito além do sentimento arrebatador que temos no início.

Não tínhamos pressa. Eu despi o seu corpo com cautela. Descobri, miraculosa coincidência do real com o imaginário, a Vênus de Milo tornada carne. O brilho nacarado do pescoço iluminava o seu rosto. Mudo, contemplei longamente esse milagre de vigor e doçura. Compreendi com você que o prazer não é algo que se tome ou que se dê. Ele é um jeito de dar-se e de pedir ao outro a doação de si. Nós nos doamos inteiramente um ao outro.


Um comentário

  1. Oi, Aline,

    É viável a notoriedade de sentimentos que emana do livro. O autor não poderia ter escolhido melhor forma para melhor efetivar seus sentimentos, pois cartas é um gesto tão íntimo e imensurável.

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