Resenha: A Morte Feliz - Albert Camus

07 agosto 2018

Título: A Morte Feliz
Título original: La Mort Heureuse
Autor: Albert Camus
Editora: Record
Ano: 2018
Páginas: 192
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Em A morte feliz, Albert Camus retrata a busca pela felicidade, assim como a aceitação, o entendimento e a consciência da morte. O autor acredita que, para conquistar a felicidade, é necessário ser independente, livre, mas também ter dinheiro; a pobreza é a condição que impede a vida feliz. Esta obra foi o trabalho precursor de seu livro mais famoso, O estrangeiro. O protagonista Patrice Mersault de A morte feliz tem características muito semelhantes a Meursault de O estrangeiro, ambos são franco-argelinos e levam uma vida difícil em uma sociedade indiferente.



Sobre o livro

Patrice Mersault é um operário pobre e cheio de sonhos sobre uma vida financeira melhor.  Quando sua namorada, Marthe, conta para ele sobre um ex-namorado, Roland Zagreus, um homem rico, inválido e que possui um intenso desejo de se matar, contudo não tem coragem de fazê-lo, Mersault decide assassinar o ex-amante de sua namorada para roubar o dinheiro dele.

Após o crime, Mersault finalmente alcança seu objetivo de vida, ficando livre financeiramente, para então aproveitar a vida e morrer feliz. Assim parte para Praga, onde acha que terá uma vida melhor. Contudo, ele não encontra a felicidade que procura na cinza Europa. Sua experiência ao matar Zagreus marca-o profundamente, e sua nova vida vai mudar completamente sua visão sobre a vida e a morte.


Minha opinião

Já li muitos comentários positivos sobre as obras de Albert Camus, além disso ele recebeu o prêmio Nobel em dezembro de 1957. Esses dois fatores levaram-me a vontade de lê-lo, mas sempre fico com muito medo de ler algo de autores que são consagrados por suas obras. Sendo assim, decidi começar com algo menor. A Morte Feliz é um livro curto, por isso achei que a leitura seria rápida, contudo me enganei! Não só demorei para ler as menos de duzentas páginas como também não encontrei o que esperava.

A narrativa de Camus é um tanto filosófica e com muitos longos parágrafos, o que faz com que a leitura seja mais lenta do que o esperado. O objetivo da trama é fazer o leitor pensar no que é exposto sobre a vida e em como queremos vivê-la, contudo o enredo curto e pouco desenvolvido, não fez com que eu refletisse tanto quando gostaria. Confesso que muitas vezes não entendi onde o autor queria chegar com suas colocações, pois algumas delas foram trabalhadas de forma rasa. Levando em consideração que A Morte Feliz é considerado um preâmbulo de O Estrangeiro, acredito que as questões sobre a vida, a morte e a felicidade vão ser melhor a presentadas nessa segunda obra.

Acredite não há grandes dores, nem grandes arrependimentos, nem grandes recordações. Tudo se esquece, até mesmo os grandes amores. É o que há de triste e ao mesmo tempo de exaltante na vida. Há apenas uma certa maneira de ver as coisas, e ela surge de vez em quando. É por isso que, apesar de tudo, é bom ter tido um grande amor, uma paixão infeliz na vida. Isso constitui pelo menos um álibi para os desesperos sem razão que se apoderam de nós.


Foi difícil me apegar a Mersault, pois senti falta de algo mais sentimental nele. Contudo ele tem pensamentos interessantes sobre a felicidade, ele acredita que para ser feliz precisamos de tempo, para isso não podemos trabalhar, mas precisamos de dinheiro, o que não condiz com a realidade. Quando temos tempo para viver e aproveitar a vida, conseguimos contemplar a beleza a existência humana, assim finalmente somos felizes.

Essa edição possui uma introdução, Gênese de A Morte Feliz, que esmiúça a obra e explica a ligação do que é apresentado no livro com a vida e toda a obra do autor. Como existem duas versões datilografadas dessa história, a segunda com acrescimentos do autor a anterior, essa edição possui, após a narrativa, uma parte extra com todas as notas e variantes das duas versões. Isso deixa o material apresentado bem completo.

A Morte Feliz, na minha opinião, não cumpre o que promete. Após a leitura tive a impressão de que algo faltou, talvez questionamentos mais profundos sobre o tema. Mesmo assim, quero ler outro livro do autor, quem sabe sua obra mais consagrada, O Estrangeiro



Um comentário

  1. Oi, Lê,

    É muito precisa a mensagem e finalidade que o livro consegue passar.

    Pena que o autor não soube desenvolver bem o que tinha em mãos.

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