Resenha: O Mito da Beleza - Naomi Wolf

04 setembro 2018

Título: O Mito da Beleza
Titulo original: The Beauty Myth
Autora: Naomi Wolf
Editora: Rosa dos Tempos
Ano: 2018
Páginas: 490
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Um dos livros mais importantes da terceira onda feminista. Clássico que redefiniu nossa visão a respeito da relação entre beleza e identidade feminina. Em o mito da beleza , a jornalista Naomi Wolf afirma que o culto à beleza e à juventude da mulher é estimulado pelo patriarcado e atua como mecanismo de controle social para evitar que sejam cumpridos os ideais feministas de emancipação intelectual, sexual e econômica conquistados a partir dos anos 1970. As leitoras e os leitores encontrarão exposta a tirania do mito da beleza ao longo dos tempos, sua função opressora e as manifestações atuais no lar e no trabalho, na literatura e na mídia, nas relações entre homens e mulheres e entre mulheres e mulheres. Naomi Wolf confronta a indústria da beleza, tocando em assuntos difíceis, como distúrbios alimentares e mentais, desenvolvimento da indústria da cirurgia plástica e da pornografia. Esta edição, revista e ampliada, traz uma apresentação da autora contextualizando o livro para os leitores de hoje, já que esteve mais de duas décadas longe das livrarias brasileiras.


Quando eu vi que esse livro ia ser relançado pelo Grupo Editorial Record, pelo selo Best Seller, decidi na mesma hora que precisava lê-lo. Faz algum tempo que meu interesse pelas questões feministas ganharam força, e por isso estou querendo consumir esse tipo de conteúdo. Pois só assim eu vou ter entendimento para saber e falar sobre isso, afinal de contas não basta ser mulher, temos que compreender como o mundo nos vê como tal e como podemos fazer para melhorar as questões envolvendo a igualdade entre os gêneros. 

Como o livro promete falar de questões de beleza, eu imaginei que não seria uma leitura fácil, acertei! Ele quebra muitos paradigmas, inclusive fez eu repensar algumas das minhas convicções sobre o assunto. A escrita de Naomi é direta e sem meias palavras. Ela joga no leitor as informações, as verdades e os questionamentos sem dó nem pena. Seu objetivo é provar como o mito da beleza sempre tem uma maneira de prejudicar as mulheres, mesmo quando essas lutam contra ele.

Há, logo no início, uma apresentação escrita pela própria autora explicando o contexto da época em que escreveu o livro, em 1991. O conteúdo do livro é dividido em oito partes, sendo seis delas dedicadas a mostrar como a opressão do mito da beleza atua em diferentes campos como: trabalho, cultura, religião, sexo, violência e fome.


No capítulo que abre a discussão sobre o Mito da Beleza, Naomi mostra como o mercado de consumo voltado às mulheres precisou inovar depois da segunda onda feminista. Momento que tirou a dona de casa e transformou-a em mulher de negócios, mostrando que foi nessa passagem que as dietas, a venda de cosméticos e cirurgias plásticas ganharam força. Esse início é muito interessante e muito esclarecedor.

Na parte dedicada ao Trabalho, temos muitas reflexões sobre o papel da mulher após a Segunda Guerra Mundial. Aqui a autora mostra como a aparência da mulher foi cobrada no ambiente de trabalho desde o momento em que ela ocupou mais esse espaço e como isso resultou numa terceira carga de trabalho, o de especialista da beleza. Além disso, aqui Naomi apresenta dados sobre o assédio dentro do ambiente de trabalho. Eu fiquei bem apavorada com alguns dados mostrados.

Já no terceiro capítulo, Cultura, o foco está em como as revistas femininas influenciam o mito da beleza. Elas vão sendo moldadas durante anos, sempre abordando assuntos que influenciam à mulher da época. Além disso, a pornografia também ganha destaque. A manipulação da indústria de cosméticos em revistas femininas é tão grande que me senti muito bem por não consumir esse tipo de produto.

A verdadeira questão não tem a ver com o fato de nós mulheres usarmos maquiagem ou não, ganharmos peso ou não, nos submetermos a cirurgias ou evitarmos, nos trajarmos com esmero ou não, transformamos nosso corpo, nosso rosto e nossas roupas em obras de arte ou ignorarmos totalmente os enfeites. O verdadeiro problema é nossa falta de opção.

No capitulo dedicado à Religião, vemos uma comparação entre a religião e os rituais de beleza. Mostrando como antes a preocupação era em volta do sexo e agora é com a alimentação. Também ganha destaque as "seitas" tipo vigilantes do peso.

O quinto capítulo, Sexo, é o mais assustador, pois aqui vemos a maneira que assuntos como a indústria pornográfica, a cultura de estupro e o desejo feminino estão ligados ao mito da beleza. Quando li essa parte, mais uma vez fiquei impressionada com as informações apresentadas, alguns dados são assustadores.

O sexto capítulo, Fome, o foco está principalmente na anorexia e na bulimia e em como essas duas doenças cresceram conforme as mulheres foram conquistando espaço no mercado de trabalho. Apesar de eu não compreender muito bem essas duas doenças e achar esse assunto bem distante de mim, eu fiquei muito surpresa com os dados trazidos pela autora.

No sétimo capítulo, Violência, o destaque está nas intervenções cirúrgicas e em como as mulheres encontram problemas, que não existem, em seus corpos. Esse capitulo, apesar de cansativo, foi muito bom, pois eu tinha uma opinião diferente sobre cirurgias plásticas. Não consegui mudar totalmente meu pensamento sobre o assunto, mas, com certeza, depois de ler o exposto por Naomi, penso um pouco diferente.


Para fechar, em Para além do mito da beleza, Naomi faz uma observação muito interessante sobre como os homens estão se rendendo ao mito da beleza. Ela mostra que o mercado da beleza está chegando no público masculino, que aos poucos se rende a um padrão estipulado à época.

Com certeza depois dessa leitura não sou a mesma pessoa e não tenho mais as mesmas certezas. Fiquei muito feliz e muito satisfeita com o conteúdo apresentado na obra. Não foi uma leitura fácil, mas é uma leitura necessária! Muitas informações me assuntaram e me surpreenderam. Fica o ensinamento, os questionamentos e uma certeza: eu entendo muito mais as exigências do mito da beleza e como ele funciona em cada área da minha vida. Só cabe a mim ceder ou não ao mito! #estounaluta


4 comentários

  1. Oi, Lê,

    Gosto quando uma obra ao mesmo em que se mostra ser delicada, também mostra toda uma potência revigorante a ser passada pelo leitor. Não li o livro ainda, mas acredito que seria de suma importância realizar a leitura do mesmo. Até mesmo para abranger minhas percepções a respeito do assunto discutido, pois são assuntos do meu interesse.

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  2. Muito importante você trazer a resenha desse livro. É um assunto atual, mesmo tendo sido escrito há alguns anos. É importante discutir e refletir sobre alguns temas e buscar essas informações em trabalhos sérios nos ajuda a solidificar melhor nossas ideias e opiniões. Os assuntos abordados em cada capítulo já mostram como são importantes e polêmicos. Ótima dica.

    Evandro

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  3. Apesar do livro ser antigo eu não conhecia. Acho que é legal refletir sobre as coisas. Algumas vezes temos uma opinião tão fixa em algo que nem refletimos sobre as coisas que aconteceram e ainda acontecem. É interessante essa divisão de capítulos, cada um focando em um aspecto diferente mais que de certa forma se junta. Essa parte da cirurgia plástica é algo que você pode ver com frequências. As blogueiras, por exemplo, difícil achar uma que não tenha nada. Só acho que poderiam ter feito uma capa mais chamativa. Algo que chamasse realmente mais a atenção, fazendo assim a pessoa ficar instigada a ler.

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  4. Gente para tudo que negro maravilhoso é esse? A proposta dele é maravilhoso e o discurso autora é mais lindo ainda com certeza quero ver esse livro o mais rápido possível. todo esse âmbito feminista na obra me impressiona muito

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