Resenha: Sem Volta - Charles Burns

18 outubro 2018

Título: Sem Volta
Título original: Last Look
Autor: Charles Burns
Tradução: Diego Gerlach
Editora: Quadrinhos na Cia.
Ano: 2018
Páginas: 176
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: A trilogia épica de Charles Burns reunida num só volume. Sem volta é uma jornada delirante pelo território, incerto e sombrio, da memória. Uma história em quadrinhos que nos mantém visualmente eletrizados com sua atmosfera de sonho e realidade distorcida. Enquanto se recupera de um trauma devastador, o jovem Doug tenta juntar as peças do seu passado. Sua paixão por Sarah, uma estudante de artes brilhante e atormentada; a doença do pai. O que de fato aconteceu? Entre homensclagarto, ovos verdes gigantes e a cena punk do final dos anos 1970, a história vai sendo montada e desmontada. Como se Hergé encontrasse Burroughs num pesadelo de David Lynch, Charles Burns funde ação e mistério e mantém o leitor num estado de constante tensão nesta que é a reunião de sua célebre trilogia — X'ed Out, The Hive e Sugar Skull. Em que medida podemos confrontar o passado e conhecer a nossa própria história? É possível voltar atrás? 



Sem Volta é o compilado dos quadrinhos que foram inicialmente publicados em três volumes separados: Xéd out, The Hive e Sugar Skull.

Sobre o livro

Doug é um jovem artista que vive na Era Punk dos anos 70, ele é louco por fotografias (polaroids) e por poesia. Um dia, ele se apaixona por Sarah, uma jovem que tem os gostos muito semelhantes com os seus, contudo o que ele não imaginava é que, a partir do primeiro encontro dos dois, a sua vida mudaria drasticamente, e para pior.

Mergulhando em um cenário psicodélico, que mescla a vida real com uma realidade toda criada por ele, Doug tenta entender o seu passado e completar o quebra-cabeça da sua vida, buscando não consertar, mas compensar por alguns erros e escolhas que tomou.



Minha opinião

Sinceramente, eu adiei um pouco a leitura, pois achava que não seria muito interessante, contudo quando comecei a ler, não consegui parar até terminar. A leitura é confusa, mas de uma forma muito gostosa, desde o início ficamos com um enorme ponto de interrogação na cabeça sobre o que está acontecendo, sobre o que é aquela realidade com homens lagartos e aonde o autor quer chegar com aquilo.

Doug é um personagem bem elaborado que é assombrado pelo passado, ele passa o tempo inteiro remoendo sentimentos e sentindo culpa pelos caminhos que escolheu e principalmente pelos que não escolheu. Acompanhamos ele em três momentos, o passado, o presente e em uma realidade paralela. Em cada linha temporal, podemos perceber o quanto Doug se afunda em suas emoções mais negativas e o quanto isso torna ele cada vez mais depressivo e infeliz.



Tudo vai terminar de algum jeito… Porque tudo sempre chega ao fim, certo? Não tem volta. O último comprimido, o último cigarro, o último gole d’água… O último beijo.

A narrativa é simplesmente uma loucura, alternando entre as três narrativas, enxergamos tudo aos olhos de Doug. Embora a história seja uma viagem, conseguimos acompanhar as mudanças temporais sem nenhum problema, pois o autor muda algumas características físicas e até o traço do desenho, conforme elas vão surgindo.

Sem Volta foi a melhor HQ que já li, com uma história louca e envolvente, ela aborda temas mundanos, como egoísmo, remorso e culpa, tudo isso de uma forma simples e prazerosa, que prende o leitor da primeira a última página.


4 comentários

  1. Oi Gui.
    Não tenho muito o costume de ler HQ, mas pretendo mudar isso logo.
    Achei o enredo de Sem volta bem interessante. Acho que todos tempos arrependimentos e ficamos nos perguntando "e se tivéssemos feito x coisa de outra forma ou toma y decisão", então é uma situação que dá para se identificar com o personagem.
    Beijos

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  2. Oi Gui,
    Não tenho hábito de ler grafic novels, mas sempre fico interessada em recomendações do gênero. Sem volta apresenta um enredo que parece simples, mas com uma boa história para ser contada. A vida de Doug tem muito da realidade de muitas pessoas, pois aborda escolhas e o que resultou delas e explora sentimentos profundos, fazendo com que muitos leitores possam se identificar com o personagem. Só achei a forma como o autor escolheu contar essa história um pouco confusa, pois usa de tempos diferentes além de uma outra realidade (que não sei se é real ou não), o que pode vir a atrapalhar o envolvimento do leitor durante a narrativa. Gostei do traço da HQ e, principalmente, das cores, que de uma forma suave dão vida a essa história.

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  3. Leio bem pouco HQs, porém tenho desejo de conhecer mais autores e obras. Já tinha ouvido falar de Black Hole, mas deste ainda não, parece ser um pouco confuso, mas interessante.

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  4. Eu sou apaixonada por HQs e sempre que vejo uma oportunidade de ler algo do gênero não perco tempo. Confesso que o enredo confuso pode me deixar desconfortável no início, mas acho que depois que nos habituamos aos três mundos apresentados a história se torna envolvente e cativante. Além disso, as personagens parecem ser construídas de maneira a parecerem bem reais, e os temas abordados só contribuem para isso. Fiquei bem curiosa para realizar a leitura.

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