Resenha: A Nuvem - Neal Shusterman

08 dezembro 2018

Título: A Nuvem
Título original: Thunderhead
Série: Scythe #2
Autor: Neal Shusterman
Tradução: Guilherme Miranda
Editora: Seguinte
Ano: 2018
Páginas: 496
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: a Ceifa está mais corrompida do que nunca, e cabe a Citra e Rowan descobrir como impedir que os ceifadores que não seguem os mandamentos da instituição acabem com o futuro da humanidade.  Em um mundo perfeito em que a humanidade venceu a morte, tudo é regulado pela incorruptível Nimbo Cúmulo, uma evolução da nuvem de dados. Mas a perfeição não se aplica aos ceifadores, os humanos responsáveis por controlar o crescimento populacional. Quem é morto por eles não pode ser revivido, e seus critérios para matar parecem cada vez mais imorais. Até a chegada do ceifador Lúcifer, que promete eliminar todos os que não seguem os mandamentos da Ceifa. E como a Nimbo Cúmulo não pode interferir nas questões dos ceifadores, resta a ela observar. Enquanto isso, Citra e Rowan também estão preocupados com o destino da Ceifa. Um ano depois de terem sido escolhidos como aprendizes, os dois acreditam que podem melhorar a instituição de maneiras diferentes. Citra pretende inspirar jovens ceifadores ao matar com compaixão e piedade, enquanto Rowan assume uma nova identidade e passa a investigar ceifadores corruptos. Mas talvez as mudanças da Ceifa dependam mais da Nimbo Cúmulo do que deles. Será que a nuvem irá quebrar suas regras e intervir, ou apenas verá seu mundo perfeito desmoronar?


A Nuvem é o segundo volume da trilogia Scythe. O primeiro volume, O Ceifador (resenha aqui), foi uma das minhas melhores leituras de 2017. O lançamento do terceiro volume, The Toll está previsto, lá nos Estados Unidos, para 2019.

Sobre o livro

Há um ano Citra e Rowan acabavam seu treinamento de ceifadores. Ela agora é a ceifadora Anastássia Romanov, usa um manto azul turquesa e tem seu próprio método de coleta. O que fez dela uma sensação entre a Ceifa, uns a adoram, outros nem tanto. Já ele, depois de fugir da organização, virou o ceifador Lúcifer, usa um manto negro e mata ceifadores que ele considera corruptos e que fazem o uso incorreto do poder de coletar.

Mas o problema que Rowan se torna para a Ceifa não chega nem perto da tentativa de assassinato sofrida por Citra e pela Ceifadora Curie. Tudo isso, porque as duas não acreditam nas ideias da nova ordem e estão dispostas a mostrar aos novos e velhos ceifadores que seguir os ensinamentos dos fundadores da organização é o caminho.

Enquanto observa tudo, sem ter permissão de intervir, a Nimbu-Cúmulo descobre um meio de ajudar as ceifadoras, através de Greyson Tolliver. Ao aceitar os novos desefios, Greyson mal sabe onde está se metendo.


Minha opinião

Depois de um primeiro livro cheio de questionamento sobre a morte e sobre quem tem o direito de tirar a vida de alguém quando isso faz-se necessário, Neal Shusterman deixou esse segundo livro para explorar melhor o mundo criado por ele. É claro que assuntos como corrupção e ambição, que foram outros tópicos do volume anterior continuam sendo levantados aqui. O autor aproveita também para mostrar melhor o funcionamento da Ceifa, mostrando que para toda a ideia sempre haverá adeptos.

Ver a Ceifa dividida sobre os métodos de coleta é um espelho da realidade humana sobre qualquer assunto, pois cada um acredita em algo diferente. A Ceifa é uma organização bem complexa, que possui um sistema organizacional antigo, por isso muitos ceifadores acreditam que esse modo de pensar está atrasado, que uma nova era deve chegar. Contudo os princípios dos fundadores da Ceifa sempre foram considerados o correto dentro desse sistema de matar pessoas, então aqui vamos acompanhar o Ceifador Lúcifer coletando aqueles ceifadores que estão indo contra os princípios da organização. Eu gostei muito dessa parte, mas acho que essa atitude entra naquele questionamento: quem tem direito a tirar uma vida? Isso é ótimo, pois ao mesmo tempo em que eu gostava do que estava acontecendo, eu me questionava sobre isso não ser o coreto a se fazer.


O que faltou de informações sobre a era Era da Imortalidade no livro anterior, tem de sobra aqui. Através da Nimbo-Cúmulo e de seus diários, descobrimos como o mundo chegou a essa nova realidade e como funciona os pensamentos da inteligência artificial. Ela ganha um tom mais humano na narrativa, e por isso vi-me gostando muito dela. Foi muito interessante ver os motivos que a levaram a escolher controlar praticamente tudo no mundo, como dinheiro, vigilância, desigualdade, mas não controlar a morte, deixando essas decisões em mãos humanas. Contudo, ela, sabendo o que é certo ou não, possui opiniões bem fortes sobre a Ceifa e o que está acontecendo na organização.

Outro fator muito positivo na construção desse mundo é sobre a maldade humana. Sempre existiu e sempre existirá pessoas que gostam de fazer o mal ou infringir uma lei, por diversos motivos, sendo assim a Nimbo-Cúmulo também pensou em um sistema para esse tipo de gente. Aqui conhecemos outra realidade, os infratores: pessoas que tem suas fichas marcadas de vermelho, pois em determinado momento não seguiram as regras. Neal se preocupou em mostrar todo o processo que esse indivíduo passa quando é marcado pela ou pelas infrações. Mais uma vez adorei!


Citra não é mais uma simples aprendiz, mas sim uma ceifadora, com seu próprio método de coleta. Ela vai percebendo aos poucos que agora sua vida é outra e que por cauda disso até da família deve ficar longe. Gostei de ver ela mais madura e preocupada com o rumo dos acontecimentos. Rowan está em busca de justiça, e muitas vezes questionei as atitudes dele, ele demora um pouco mais para amadurecer, mas é perceptível sua evolução. Somos apresentados por um novo personagem, que tem um papel fundamental em toda a história, Greyson Tolliver. O que mais gostei nele foi em é a sua devoção pela Nimbo. A volta de alguns personagens do livro anterior, não me agradou muito, contudo a maioria dos acontecimentos gira em torno do que aconteceu com eles, e a história se desenvolve por causa deles. Mas mesmo assim eu queria que as coisas fossem diferentes.

Shusterman conseguiu finalizar a história muito bem, ele apresenta uma nova informação, que estou ansiosa para ver como vai se desenrolar. A Nuvem  é uma ótima continuação, seu enredo é bem elaborado e seus questionamentos sobre o comportamento humano são atemporais. Essa trilogia tem tudo para terminar perfeitamente e virar um top da vida!

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