O Clube dos Jardineiros de Fumaça - Carol Bensimon

07 janeiro 2019

Título: O Clube dos Jardineiros de Fumaça
Autor: Carol Bensimon
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017
Páginas: 368
Para saber mais: Skoob
Livro recebido em parceria com a editora.
Sinopse: Em um cenário formado por coníferas milenares, estradas sinuosas e falésias, a região californiana do Triângulo da Esmeralda concentra a maior produção de maconha dos Estados Unidos. É lá que o jovem professor brasileiro Arthur busca recomeçar a vida, depois dos acontecimentos que o levaram a deixar Porto Alegre. Aos poucos, ele se insere na dinâmica local e passa a fazer parte de uma história que começa com a contracultura dos anos 1960 e se estende até o presente. À vida de Arthur e daqueles com quem estabelece vínculos — o atormentado Dusk, a solitária Sylvia, a indecisa Tamara — mistura-se a de personagens reais que participaram do embate que levou à descriminalização do uso da maconha, fazendo deste um poderoso romance panorâmico. Cruzando história e ficção, com uma linguagem original e ousada, a meio caminho entre Brasil e Estados Unidos, Carol Bensimon compõe em O clube dos jardineiros de fumaça um brilhante retrato da geração hippie e de seu legado.


Sobre o livro

Arthur Lopes era professor de história em uma escola conhecida de Porto Alegre quando decidiu plantar maconha em casa. Sua mãe estava com câncer, e ele queria que ao menos ela pudesse se sentir bem nos últimos momentos de sua vida, ele só não sabia que isso ia prejudicar tanta gente.

Logo após a morte da mãe, os vizinhos denunciaram a plantação, e com isso a cara de Arthur e de seu pai estamparam a capa do Jornal Zero Hora. Sabendo que sua carreira havia terminado no Brasil, ele decide ir em busca de um novo estilo de vida na Califórnia, então ele se muda para o condado de Mendoncino, localizado no triângulo da Esmeralda, região mais produtora de maconha dos EUA.

Obcecado por viver através do cultivo de Cannabis, Arthur acaba criando laços com alguns americanos, como Tamara, com quem desenvolve um relacionamento, e Noah, um patinador que entende tudo sobre plantações de maconha. A partir disso, acompanhamos a rotina dele e das pessoas que utilizam a Cannabis como forma medicinal.


Minha opinião

Por tratar de um assunto polêmico, o uso de maconha, eu imaginei um livro polêmico, contudo fiquei meio desapontado com o desenrolar da história. Mas nem tudo foi decepcionante, um ponto positivo que vale ressaltar são os capítulos sobre pessoas reais que lutaram, tanto contra quanto a favor da liberação do uso medicinal de maconha, contando resumidamente as suas histórias.

O livro levanta um tema muito questionado na atualidade, a legalização do uso medicinal e recreativo da maconha. Esse é um assunto debatido há muito tempo e que ainda está longe de um desfecho. Hoje em dia temos exemplos de países que adotaram essa medida e com isso diminuíram as taxas de criminalidade, gerando até oportunidades de trabalho.


Outro tema levantado pela autora é o poliamor, a possibilidade de ter dois ou mais relacionamentos simultâneos, que englobam afeto e sexo, com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos. Um assunto que assim como a legalização da maconha, é visto como um enorme tabu na sociedade moderna. Gostei muito da forma simples com que esse assunto foi desenvolvido no livro.


Se não tivesse a impressão de que está sempre procurando as palavras certas, tudo seria mais fácil. Para algumas pessoas, a vida é uma sucessão de desafios aos quais você simplesmente responde com o seu instinto, como se não houvesse no fim das contas quase nada a ser decidido.

Apesar de acompanharmos a evolução de Arthur ao longo das 368 páginas, a autora consegue  familiarizar o leitor com outros personagens, como é o caso de Dusk, pai de Tamara e um dos fundadores de uma antiga comunidade Hippie, que não aceita o seu fim; Sylvia, uma ex-professora aposentada que aluga alguns quartos da sua cabana pelo Aircnb; e Noah, um cara que curte a vida de um jeito muito próprio, que mora em uma van e anda de patins no calçadão da praia.

A narrativa de Carol Bensimon é em terceira pessoa com foco em Arthur, porém, alguns capítulos são focados nas outras duas personagens que participam de praticamente todo o desenrolar da trama, Tamara e Sylvia. Uma coisa bem legal de ser observada são os locais que a autora cita no livro, alguns lugares onde Arthur cresceu, como nomes de ruas e pontos turísticos de Porto Alegre.

O Clube dos Jardineiros de fumaça não é uma leitura que me empolgou nem me prendeu do início ao fim, talvez pela falta de conflito. Mas por tratar de assuntos tão relevantes e tão debatidos, acaba se tornando uma leitura agradável e com boa fluidez. Recomendo essa leitura para quem curte assuntos polêmicos e quem quer saber um pouco mais sobre como é a vida nos países que enfim legalizaram a maconha.




3 comentários

  1. Não conhecia o livro até ler a resenha. Eu também acho o tema bem polêmico, além de achar complexa a situação.
    Não concordo com a legalização da maconha, então é um tipo de livro que não tenho a mínima vontade de ler.

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  2. Oi Lê,
    Que pena que deixou tanto a desejar, eu realmente me interessei exatamente por tratar de assuntos polêmicos, e que devem ser discutidos! Mesmo que o embasamento tenha sido lento, o tema em si é muito interessante, principalmente quando se fala do uso medicinal da planta.
    Eu já tinha me deparado com o livro, mas não fazia ideia de que era nacional e amei saber!!
    Fiquei curiosa demais para ler.
    Beijos

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  3. Sabe isso que você falou do livro não twer prendido muito a sua atenção? Pois é, pra mim, mesmo lendo a sinopse e a sua resenha, não consegui me imaginar lendo esse livro. Sei que os temas abordados são polêmicos e importantes mas, para mim, pareceu um pouco maçante. Sei lá. Não li o livro mas é essa a impressão que a sinopse me passou.

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